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Posts com a Tag vocação

segunda-feira, 17 de março de 2014 Sem categoria | 11:18

Na carreira, é preciso caminhar (sempre) para o lado onde seu coração bate

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Saiba onde bate o seu coração. E siga para lá.

Saiba onde bate o seu coração. E siga para lá.

Recebo em meu e-mail a seguinte mensagem:

“Cara, o Manual de Ingenuidades é realmente um achado na imensidão da Internet, com dicas valiosas.

“Estou num dilema parecido com os que você trata no blog. Tenho 25 anos, sou formado em Administração e atualmente trabalho num escritório de Engenharia. Me sinto angustiado quando penso em passar o resto dos meus dias profissionais aguentando chefes escrotos.

“Como o contrato de execução de uma obra dessa empresa de Engenharia está acabando, estou prestes a ser mandado embora e perdido, não sei que rumo tomar. Não sei se sigo na área de Administração, visando encontrar algo que valha a pena; não sei se invisto em concursos públicos; não sei se ouço meus instintos e inicio uma nova faculdade (Jornalismo no caso, área que você conhece bem pelo que vi), que oneraria tempo e muito dinheiro.

“É tão difícil achar pessoas dispostas a dar conselhos e com propriedade e conhecimento de causa, por isso achei seu blog sensacional. Me dá uma luz aí, cara…”

Como sempre, escrevo abaixo o que me parece. E convido a nossa comunidade de ingênuos a aportar suas visões também.

Acho que a questão tem dois lados. O primeiro: você tem um emprego que não lhe satisfaz. O segundo: você está prestes a perder esse emprego – o que cria para você a chance de retomar a carreira a partir de outro ponto.

Ser um administrador numa empresa de engenheiros pode representar um teto mais baixo à sua trajetória profissional, uma vez que você não trabalha na atividade fim da empresa – nenhum cliente dessa empresa vai contratá-la ou demiti-la pela qualidade dos seus fluxos administrativos, mas sim pela excelência ou não da sua engenharia. Isso, inevitavelmente, erode um pouco do seu valor como profissional dentro da companhia. Por outro lado, se você for um pouco mais acomodado ou menos ambicioso, essa pode ser uma boa posição – uma lugar mais tranquilo para trabalhar, operando nos bastidores, na gestão da empresa, enquanto outros é que tem que vender e depois entregar bem aquilo que venderam.

Se você está insatisfeito com sua ocupação atual, o fim que você está prevendo para o seu contrato é uma benção – uma chance de mudar para melhor. Por outro lado, se você está insatisfeito porque está prestes a perder o emprego, vale uma conversa com seu chefe, para expor a ele o quanto você gosta do que faz e o quanto gostaria de poder continuar contribuindo com aquela organização.

Ah, sim. Você fez uma menção genérica a “chefes escrotos”. Você está se referindo a seus chefes específicos nessa empresa ou à situação de ter chefes em geral? Se você não gosta do seu chefe, veja se não há outros bons candidatos a chefe na empresa em que você trabalha. E aí mude de chefe. (Você tem razão: a carreira é muito curta para trabalhar com chefes ruins.) Se o problema estiver direcionado a todos os executivos dessa empresa, aí sim, troque de empresa – no seu ramo de atuação atual, inclusive, se for o caso. (Não confunda pessoas com instituições, nem tome um ramo de negócios pela experiência que você teve com uma empresa.) Agora, se você simplesmente não gosta de ter chefes, aí o seu caminho talvez seja o do empreendimento. Lembrando sempre que lá você não terá chefes mas terá sócios e clientes e parceiros comerciais – o que pode ser ainda pior, em termos de relacionamento, em alguns casos. De um jeito ou de outro, viver e trabalhar implica aprender a lidar com gente e com fluxos poder – ao lado, acima e abaixo da gente.

Quanto à segunda questão que você coloca – a chance de recomeçar. Se você gosta do que faz, e não for possível continuar nessa empresa, tente uma posição similar noutra empresa do ramo. Procure os principais concorrentes de organização, mostre o que você fez e o que você tem condições de construir com eles. Se você gosta da empresa mas não gosta do que faz, tente uma nova posição dentro da organização. Se você não gosta do que faz e nem da empresa, aí, antes de saltar, será importante compreender o que lhe faria mais feliz. Nesse caso, a demissão que você prevê será uma bem vinda oportunidade para repensar sua carreira. O que significa, sempre, pensar sobre você mesmo. Auscultar seus desejos, compreender seus gostos, traçar planos, alinhar expectativas e estabelecer metas consigo mesmo. Trata-se do velho e bom exercício de autoconhecimento do qual com frequência falo aqui. Afinal, para mudar é preciso saber antes aonde você quer ir.

Uma vez definida essa lista final de opções, atire-se a elas. Teste. Experimente. Certas coisas a gente só aprende fazendo, só aprende vivendo. Com leveza, sem peso na mente ou nos ombros. Ajuda se você pensar que a vida profissional não é uma decisão férrea que tomamos um dia e da qual não podemos nos afastar. Ao contrário: a carreira é feita de projetos, de ciclos que tem começo, meio e fim, e que podem, tranquilamente, representar as coisas que gostaríamos de fazer, mesmo que elas não tenham aparentemente conexão entre si, nesse curto espaço de tempo que temos para produzir alguma coisa enquanto nos mantemos vivos e ativos sobre o planeta.

Mais uma tentativa em Administração? Uma experiência no Jornalismo? Uma passagem pelo serviço público? Tudo é válido. Desde que você caminhe para o lado onde seu coração está batendo naquele momento. Quando ele mudar, mude também. Nunca se separe dele. Boa sorte. Seja feliz.

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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014 Sem categoria | 10:58

Está com medo de mudar? Leia isso.

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Nunca é tarde demais para você se transformar naquilo que sempre sonhou ser.

Nunca é tarde demais para você se transformar naquilo que sempre sonhou ser.

Encontro meu amigo numa festa. Fazia tempo que não nos víamos. Ele me conta do quanto está feliz. De como mudou a sua vida para melhor. Sua aparência está ótima. Você vê na pele e no brilho do olho quando uma pessoa está num momento bom.

Ele tem 40 anos. Trabalhava há 23 anos no setor financeiro de uma grande empresa. Contas a pagar, recebimentos, administração de grana daqui para lá e de lá para cá. Entrou lá como estagiário. E foi crescendo. Ou ficando. Aquele primeiro emprego se tornou uma carreira. E também um grilhão.

Com o tempo, foi percebendo o que queria da vida. Seu coração não estava em finanças. Estudou arte. Obteve um diploma. Mas veio um casamento. Vieram os filhos. E ele fez o que a maioria de nós faria – se amarrou ao que tinha na mão. Um holerite, um plano de saúde, um vale refeição. Para não correr riscos, correu o maior dos riscos – negar o que a sua voz interior estava lhe dizendo. Isolou a vocação que descobrira em si na caixinha dos desejos inoportunos.

Sabia que aquele trabalho não era o que desejava para si. Mas era o que lhe parecia mais seguro. E um marido e um pai precisa ser sensato. Precisa ser responsável e consequente. Preciso prover. E se sacrificar pela família, se preciso. Então conviveu muitos anos mais com aquele cotidiano. Engordou. Encontrou um companheiro no cigarro. E começou a beber um tantinho além do que seria recomendável.

Seus filhos cresceram. O casamento se desfez. E aos 40 ele tomou a decisão de pedir demissão. Com mais 12 anos no escritório ele já estaria pronto para se aposentar. As pessoas lhe diziam que sossegasse o facho, que tivesse bom senso. Mas ele não tinha mais 12 anos para dar. Ele já tinha sossegado o facho demais. E bom senso, bem, isso ele tinha de sobra: trocou o Excel pela lousa. Passou a dar aulas de arte numa escola pública, fazendo uso da licenciatura que estava há muito no fundo da gaveta, mas que não tinha sido esquecida. E na Brasilândia, periferia de São Paulo, onde as salas não são refrigeradas e onde não se usa gravata nem em dia de enterro.

Hoje ele dá aula em três escolas próximas da sua casa, na Freguesia do Ó. Vendeu o carro – se diz um feliz usuário do sistema de transporte público de São Paulo, quando precisa sair do seu bairro. Parou de fumar. Parou de beber. Desligou a TV – me disse que hoje só a usa para assistir a um filme no Netflix ou para jogar XBOX com o seu filho do meio, de 16 anos, que mora com ele. Ocupa todas as suas manhãs com as classes. E tem as tardes e as noites livres para fazer o que quiser. Inclusive estudar arte.

Eu o cumprimentei efusivamente por ter tido a coragem de fazer tudo isso por si mesmo – coisa que a maioria de nós não tem a coragem de realizar. E tentei lhe apoiar, e lhe confortar, dizendo que, afinal, dinheiro não é tudo, quando ele me atalhou – “Adriano, eu estou ganhando mais agora”.

Sem mais.

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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014 Sem categoria | 10:29

Descubra qual é o seu lugar ao sol

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As respostas estão todas dentro de você

As respostas estão todas dentro de você

Recebi há poucos dias esta mensagem de uma leitora da coluna:

“Adriano, li um artigo seu e tomei a liberdade de lhe escrever este e-mail.

“Tenho 21 anos, estou pensando na minha carreira profissional, quero fazer uma faculdade, a princípio uma que ofereça EAD (Ensino à Distância).

“Nunca me imaginei sendo professora, sempre achei que não era pra mim, mas agora estou pensando seriamente em fazer Pedagogia, e me especializar na área infantil. Gosto muito de crianças e penso que é uma carreira que oferece uma entrada mais fácil no mercado de trabalho – sempre há vagas. A remuneração não é lá essas coisas, mas acredito que iria me sentir bem trabalhando com crianças.

“Também já me imaginei sendo massoterapeuta. Acredito que essa profissão está crescendo bastante…

“Eis a minha dúvida – o que eu deveria fazer? Às vezes me sinto perdida, sem saber pra onde correr, nem o que fazer…”

Querida leitora,

Obrigado por ler a minha coluna e por enviar a sua dúvida.

Penso que, aos 21 anos, você tem que experimentar. O melhor jeito de aprender é fazendo. Isso vale para carreira também. Meta a mão na massa. Ninguém lhe dará um melhor conselho do que a sua própria experiência.

Você tem, hoje, dois interesses profissionais. E você tem pelo menos 50 anos à sua frente para ser muito feliz profissionalmente. Fazendo uma dessas duas coisas. Ou tendo duas carreiras – uma em cada uma dessas profissões. Ou chafurdando em outras atividades que lhe encantarem ao longo do caminho – e que talvez nem tenham sido inventadas hoje.

Talvez você também possa tocar esses dois projetos em paralelo, pelos próximos anos. Enquanto você faz um curso de Pedagogia, e mais tarde, quem sabe, uma especialização em Psicologia Infantil, num curso presencial ou à distância, você pode se desenvolver como uma massoterapeuta, seja por meio de um curso de Fisioterapia, seja como uma técnica da área.

A questão da grana é importante, claro. Mas não é a única. Não esqueça disso. Uma coisa é o tanto que você coloca no bolso no fim do mês. Outra é o que vai fazer você sair feliz da cama de manhã, todos os dias do mês. O ideal é que essas duas luzes estejam verdes para você. Só uma, não adianta.

Em relação à demanda que há no mercado para uma determinada atividade, entenda que isso varia muito. Profissões quentíssimas há dez anos hoje nem existem mais. O que vai estar bombando daqui a cinco anos a gente nem tem como prever hoje. Portanto, sua decisão não pode estar ancorada nessa análise “externa” da situação. É fundamental você olhar para dentro e entender realmente o que faz seu olho brilhar. Somente depois disso, pense na capacidade do mercado de lhe absorver como uma nova profissional da área – inclusive porque, para bons profissionais, mesmo em setores disputados, sempre haverá um lugar ao sol.

O importante é descubrir qual é o sonho. O que lhe faz feliz. E correr atrás dele. Hoje, amanhã e depois de amanhã. Partiu. Beijo – e boa sorte!

Feliz Ano Novo!

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