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segunda-feira, 11 de novembro de 2013 Sem categoria | 12:01

Você é escravo das suas conquistas?

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E se quem botou essas algemas de ouro em seus pulso foi você mesmo?

E se quem botou essas algemas de ouro em seus pulsos foi você mesmo?

Moro em São Paulo há quase 16 anos. Nunca pensei em viver aqui. Eu tinha medo da cidade – que é, acredite, uma das mais acolhedoras e simpáticas do Brasil, apesar de tudo. São Paulo é uma senhora de meia idade, feia, com alguma grana, mal ajambrada aqui e ali, que é dona de um toque gostoso, de um colo sempre tépido e macio. São Paulo é também o único lugar verdadeiramente cosmopolita do país, por atuar de fato como metrópole e não apenas a partir do desejo de ser uma metrópole. São Paulo já é a cidade em que mais tempo morei em minha vida. Virei paulistano.

Já vivi em várias cidades, inclusive fora do país. Já estive no cume do mundo moderno, feito de concreto, vidro e aço escovado. Mas me sinto em casa também no campo, na grota, no meio do mato, sobre a grama, à beira de um açude. Sou um cara civilizado e urbano. Mas também um cara selvagem e campesino. Já cometi algumas extravagâncias gastronômicas sérias em Paris – mas também sou feliz com arroz, feijão e ovo frito. Não sou de todo inculto mas continuo sendo um silvícola – como meu sobrenome deixa entrever. Uma caneca de café preto e um naco de pão sovado com manteiga me realizam plenamente.

Essa dualidade existe até hoje dentro de mim. De um lado, tenho orgulho das minhas conquistas. Acho que tenho o direito de pensar que cheguei longe, considerando de onde parti. Mas a verdade é que ainda sou um menino do interior que por vezes não se sente de verdade integrado ao funcionamento das coisas no topo da pirâmide. Ainda sou um garoto pobre que não está plenamente confortável com as todas as benesses e todas as demandas da vida na classe média. São vantagens que trazem desvantagens. São prerrogativas que trazem obrigações. Como os êxitos nos pesam! Quanto mais você angaria na vida, mais a sua vida se complica. Quanto mais você tem, mais você precisa correr para continuar tendo. Eis o ponto: ter custa caro. E não é o custo da aquisição – mas o custo da manutenção – o que mais machuca. Voar alto significa mais consumo de combustível nas turbinas. Mergulhar mais fundo significa mais pressão sobre a sua cabeça e seus pulmões. Leia mais »

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