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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013 Sem categoria | 09:26

De funcionário público a empreendedor. Por que não?

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Quem já vestiu essa camiseta por baixo da camisa social do emprego não tem alternativa senão ir lá e tentar a mão.

Quem já vestiu essa camiseta por baixo da camisa social do emprego não tem alternativa senão ir lá e tentar a mão.

Um companheiro de ingenuidade me escreve:

“Acompanho seu Manual há muito tempo. E confesso que tenho andado inquieto. Talvez eu já estivesse insatisfeito quando comecei a lê-lo, só não havia me dado conta. Tenho 35 anos, sou funcionário público. Achei que estabilidade era tudo o que eu queria e que depois de passar num concurso minha vida profissional não seria mais preocupação. Estabilidade, pouca pressão, bom salário… E muito tédio! Sinto vontade de empreender, de fazer algo novo, de fazer a diferença no mundo. Trabalho numa área absolutamente burocrática. Queria realmente começar uma carreira nova. O que tenho vontade de fazer não tem nada a ver com o que fiz até o momento. Será que ainda dá tempo? Sou pai de família, mas tenho um pé de meia, que me daria algum folego até começar a ganhar dinheiro numa área nova… Vale a pena tentar? Por onde começar? Estou precisando de ajuda, Adriano.”

Caro amigo,

Você vive uma situação de estabilidade que é o sonho de muitos brasileiros – especialmente nestes tempos bicudos que vivemos. (2013 talvez venha a ser conhecido como o ano da crise que não ousou dizer seu nome. Ou que ninguém teve a coragem de chamar pelo nome certo.) Provavelmente esse já foi o seu sonho também, a julgar pelo que você escreveu. Um sonho que você realizou. E que agora está se provando mais baixo e mais magro do que as expectativas que você tem para a sua carreira e a sua vida.

Há muito empreendedor que sonha secretamente em ter um pouco mais desse tédio em sua vida. Em dormir mais tranquilo, em acordar menos ansioso. E, no entanto, você está querendo um pouco mais de pressão e de desafio em sua rotina. O que é um desejo absolutamente lícito – e que fala muito (e bem) de você. “Sinto vontade de fazer diferença no mundo”. Clap, clap, clap. Precisamos de mais gente como você nas repartições públicas!

O bom é que você pode ter, nesse primeiro momento, e durante um bom tempo ainda, o melhor dos dois mundos. Sem negligenciar seu emprego, você pode começar a montar o seu negócio. Com calma. Apressando-se devagar. Com tino e ritmo – mas sem desespero nem afobação.

Com relação às suas questões específicas, eis o que tenho a dizer:

“Queria realmente começar uma carreira nova. O que tenho vontade de fazer não tem nada a ver com o que fiz até o momento. Será que ainda dá tempo?”
Claro que dá. Você ainda está jogando o primeiro tempo da vida. Aos 35, você apenas acumulou experiência para saltar do jeito certo. Você não perdeu tempo algum até aqui. E também, por outro lado, tempo é o que não lhe falta daqui para a frente.

“Sou pai de família, mas tenho um pé de meia, que me daria algum folego até começar a ganhar dinheiro numa área nova… Vale a pena tentar?”
Claro que vale. Mas eu não mexeria no seu pé de meia. É louvável que você esteja disposto a isso. Só demonstra a sua coragem empreendedora e o quanto você está comprometido com essa decisão de mudar de ares. Mas acho que o que você conquistou até agora financeiramente deveria ser encarado como a sua poupança para a velhice. Como a sua aposentadoria. Há outros meios de financiar a sua empreitada. Inclusive mantendo por mais algum tempo o emprego que você tem hoje.

“Por onde começar?”
Por uma ideia na qual você acredite. Que tenha a ver com você. E que represente uma oferta melhor, mais rápida, maior ou mais barata para atender a uma demanda existente no mercado. Ao que parece, você já sabe o que quer fazer. Entenda apenas se é isso que as pessoas estão precisando que você faça. Se elas estariam dispostas a lhe pagar por isso. Eis a gênese de um bom plano de negócios. (E me ocorre que, como funcionário público, talvez você tenha um bom descortínio sobre o que está faltando na vida das pessoas. Talvez haja grandes oportunidades clamando por serem atendidas nesse momento, em cima da sua mesa, bem debaixo do seu nariz.)

Boa sorte!

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