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Posts com a Tag felicidade profissional

terça-feira, 11 de março de 2014 Sem categoria | 09:08

Eu não fui feliz, meu filho. Então você está proibido de sê-lo.

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Sim, garoto, você é. Mesmo que seu pai e sua mãe achem que não. Crescer significa também enfrentá-los.

Sim, garoto, você é. Mesmo que seu pai e sua mãe achem que não. Crescer significa também enfrentá-los.

Esses dias ouvi um pai ceifando opções de carreira numa conversa que estabelecia com o filho adolescente com o vaticínio: “isso não dá dinheiro”.

Não era bem uma conversa, era mais um monólogo – o menino tentava construir uma frase, expressar um desejo, e o pai descia a marreta paterna, embalada nesse raciocínio dinheirista. Logo ele que não era assim a pessoa mais feliz do mundo no trabalho – não tinha uma carreira, tinha um emprego que lhe rendia algum dinheiro e quase nenhuma felicidade profissional.

É curioso como temos a capacidade de reproduzir como herança imposta aos nossos filhos as coisas que deram menos certo para a gente. Quase como uma sabotagem à geração seguinte – “eu não fui feliz, eu não segui minhas paixões, eu não ouvi meu coração, e tratei de obedecer meus pais, e agora você me deve tudo isso. Não ouse se realizar profissionalmente! Especialmente em alguma coisa que eu não entenda ou que não me dê orgulho”.

Esse mesmo pai, ou essa mesma mãe, segue adiante em seu modo de pensar: “Não ouse se realizar afetivamente num modelo que não seja o matrimônio heterossexual – porque eu não saberia como contar isso para os meus amigos e teria vergonha de você, além de uma sensação insustentável de ter falhado em passar os valores da geração que me precedeu para a geração que me sucederá”. Não importa que esses valores sejam velhos de muitas décadas e não representem mais a vida como ela acontece hoje. “Não ouse ter uma religião que não for a minha (pior do que tudo é não ter crença alguma) ou torcer para um time que não seja o meu ou ignorar qualquer régua fundamental à minha vida – ela deveria também reger a sua também”.

Eu, em silêncio, pensava no quanto divirjo daquele pai. Só para ficar no campo profissional: o principal objetivo de uma carreira não é ganhar dinheiro – é obter o máximo de satisfação consigo mesmo, com aquilo que você faz, com aquilo que você é. Uma carreira existe para gerar o sentimento de realização, para criar na pessoa a sensação de que ela está construindo uma obra relevante para si mesmo e para os demais. Dinheiro é consequência disso. Ele vem depois, como recompensa – não pode vir antes, como critério de escolha. A grana não é um detalhe desimportante. Ao contrário: ela é fundamental. Mas ele vem, de um jeito ou de outro, em maior ou menor medida. E ela não é a medida de todas as coisas. Nem mesmo o critério mais importante de êxito na vida. Então por que não gerar as condições para que o dinheiro seja gerado a partir de uma situação que permita a você – ou ao seu filho! – ser feliz? Fazer o que se gosta sem ganhar dinheiro pode ser uma situação bem desagradável. Muito mais desesperador é ganhar dinheiro com algo que você não tem o menor gosto de fazer.

A fala daquele pai, podando seu filho na raiz, tentando manter o garoto dentro do molde de vida que ele considerava o mais apropriado, expressava um desejo paterno de que o menino se desse bem na vida. Mas expressava, de modo muito mais eloquente, os medos que assombravam aquele pai. E as suas dificuldades para deixar que o garoto vivesse a sua vida do jeito dele – um jeito que talvez fosse completamente diverso do seu. E a arrogância de quem se agarra a clichês em franca obsolescência e acha que sabe de tudo melhor do que todo mundo – especialmente quanto o assunto é a vida dos outros.

O molde comportamental que armamos para nós mesmos, como uma armadilha mental, e que adoramos passar adiante, inclusive como forma de validarmos o molde que utilizamos para organizar nossa própria vida, é de um reducionismo atroz. Nesse processo em que uma geração quer entalhar a outra à sua imagem e semelhança – numa exercício de autoafirmação, por mais infelizes que tenhamos sido em vários aspectos de nossas vidas –, eliminamos as diferenças, as individualidades, os desejos e o sonhos particulares de quem só está começando a viver.

Para aquele pai, o molde era um uniforme corporativo – cada vez mais gasto, diga-se. Antigamente, a tríade respeitável girava em torno de medicina/advocacia/engenharia. Quem não estava aí, estava fora. Hoje, a esperança dos pais reside no quadrilátero administração/marketing/engenharia/economia. Essas seriam as chaves, imaginam eles, para encontrar um lugar ao sol no mundo corporativo. Como se só houvesse essas opções no mundo corporativo. Como se o mundo corporativo fosse a única opção de construção de um carreira digna e feliz. Como se essa fosse, sem sombra de dúvida e sem possibilidade de discussão, a melhor opção.

A falta de visão, ou de coragem, daquele pai, somada a sua soberba em impor a sua visão ao filho, de cima para baixo, sem possibilidade de arguição, numa catequese covarde e injusta, fechava portas para o garoto em vez de abri-las. O pai não se colocava como facilitador, mas como inquisidor. Um situação extremamente com a maior cara de novela das 7, mas que infelizmente continua acontecendo a rodo por aí, como um clichê lamentável.

Ou você cria seu filho para que ele tome decisões autônomas, incluindo aquelas que negam veementemente o seu jeito de fazer as coisas, ou você estará sendo um péssimo pai. Não respeitar as escolhas do seu filho é desrespeitar seu filho. E desinstrumentalizá-lo diante da vida e, pior, diante dele mesmo.

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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014 Sem categoria | 10:02

É preciso ter um propósito – ou a vida fica muito chata

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Quem tem uma causa está sempre trabalhando para si mesmo - até quando trabalha para os outros

Quem tem uma causa está sempre trabalhando para si mesmo – até quando trabalha para os outros

Recebo a seguinte mensagem de uma leitora do Manual, por obra deste artigo que publiquei esses dias:

“Querido Adriano,

Queria muito poder abrir mão desse componente que apesar de não ser essencial, parece: a grana. Pode parecer contraditório mas a angústia, o frio na barriga e o medo do incerto nessa altura do campeonato são maiores do que os sapões engolidos todo santo dia.

Vamos à minha história, que carinhosamente chamo de ‘parece, mas não é’. E desculpe se volto muito ao passado, mas ele explica grande parte das minhas inseguranças no mundo profissional.

Mãe: trabalhou por 35 anos na mesma empresa, onde começou como office-girl e se aposentou como gerente financeira, muito respeitada. Foi a responsável pela provisão em casa. Criou as duas filhas com limitações, mas sempre buscando o melhor. Leia-se: estudamos sempre em escolas particulares, mas não íamos à Disney todo ano como nossas coleguinhas de sala.

Pai: sempre fez de tudo um pouco, de maneira bem instável, é verdade, mas sempre se desdobrando para também dar o melhor às duas filhas. Trabalhou em editoras como representante de vendas, em corretora de seguros, em banco e até arriscou por duas vezes um negócio próprio mas nunca foi para a frente. Minha mãe sempre dizia que ele não nasceu para ter chefe. Meu pai parou de trabalhar antes da minha mãe e ficava em casa conosco.

Isso explica muito minha insegurança no mundo do empreendedorismo. Se tenho uma família a sustentar e um padrão de conforto a manter, preciso de estabilidade, não posso me aventurar.

Me formei em faculdade de primeira linha na minha área (Marketing), fiz pós-graduação, e sempre trabalhei em multinacionais que me deram um belo currículo. Mas além do currículo, essas mesmas empresas me deram experiência e me fizeram enxergar ao longo do caminho que nada vale a pena no mundo corporativo. Não vale a pena se sacrificar, pois no final do ano, sua avaliação de performance será medíocre comparada com o colega que ainda acha que beijar as mãos do chefe vale a pena. Não vale a pena vender mais, quem está ganhando nesse jogo é a pessoa jurídica e os acionistas dela e não você. Não vale a pena ser respeitado, ser referência pois tudo é efêmero nesse mundo. Enfim, poderia tecer uma lista gigantesca de todos os inconvenientes do mundo corporativo. Mas você já fez isso de maneira brilhante no artigo.

 Hoje sou uma gerente, especialista pois não tenho equipe, o que é um dos motivos da minha frustração. Pareço ter um cargo importante, em uma multinacional importante, com um salário bem adequado a essa importância toda e tenho amigos que me consideram uma profissional de moderado sucesso.

Como eu vejo: uma especialista que entende de tudo um pouco na minha área, que só é gerente por que o título do cargo é esse, cujo salário é uma prisão e que está cada vez mais frustrada, faz cada vez menos e cada vez pior as tarefas do dia a dia, empurrando mesmo com a barriga. Faço o que deve ser feito. Nem um passo a mais. Não gosto do que faço e, a bem da verdade, não faço muita coisa pois as verbas são cada vez menores.

Minha prisão:

– Um bom salário: que chega a ser o triplo do salário do meu marido e que sustenta grande parte do nosso padrão de vida e me dá a segurança de que consigo criar bem meu filho

– Um chefe que fica em outro país: o que me dá a tranquilidade de não ter alguém na minha cola, me cobrando o tempo todo e me avaliando a todo minuto

– Flexibilidade: entro a hora que quero, saio a hora que quero, posso trabalhar em casa. Levar e buscar meu filho na escola, ficar com ele em casa quando ele está doente.

Meu dilema:

Por que largar um emprego dos sonhos como esse (é o que sempre escuto) e partir para um negócio próprio? Não seria melhor manter o status quo e garantir um bom futuro para meu filho? Por que largar um emprego em que tenho vantagens que não passam de sonho para outras pessoas?

Tenho proposta para ir para outra empresa. Durante um tempo, a euforia do aprendizado me faria crer que tomei a decisão certa, quando na verdade só estaria mudando de CNPJ e quiçá para uma situação pior, sem as vantagens que tenho hoje. Mudar de lado? Ir para o lado do fornecedor, da agência, da consultoria, seria oportunidade de aprender coisas novas e talvez a euforia durasse mais tempo, mas no fim das contas, só demoraria um pouco mais para desanimar de novo (sem contar as desvantagens da falta de horário, do sacrifício, das mãos a serem beijadas – afinal tudo isso existe do outro lado também.)

Sim, a grana é importante para mim agora, mas não aguento mais a situação. Além disso, não faço ideia do que fazer, de uma alternativa, do que gosto, de algo em que sou muito boa, de algo que as pessoas falem que eu deveria ganhar dinheiro com aquilo.

Incrível como a história influencia nosso destino e nossas decisões. Sou aquela mesma alma do meu pai que quer se livrar do mundo corporativo, aprisionada na segurança e na estabilidade que minha mãe transmitiu serem tão importantes.

E enquanto escrevia esse texto me dei conta de que tenho um tesouro nas mãos! Tempo. Me dei conta de que preciso utilizar essa flexibilidade e tempo livre que tenho e canalizar energias para:

1.          Encontrar o que me faz feliz – o caminho do autoconhecimento, como você muito bem coloca;

2.         Investir nessa felicidade enquanto tenho a segurança e estabilidade que a corporação me oferece, por mais injusto que isso possa parecer com a empresa. Mas, no final das contas, o que é justo no jogo corporativo, não é mesmo?

Obrigada por me encaminhar a essa reflexão. E, mais uma vez, desculpe o tamanho do desabafo. Abs!”

Trata-se, como se vê, da reflexão de uma executiva experiente e bem formada. Uma reflexão que fala com a minha vida e com a sua. E que, portanto, nos permite pensar juntos. Coloco aqui a minha análise. E, como sempre, você está convidado para colocar a sua, OK?

Cara leitora,

Há dois pontos claros no seu depoimento. Leia mais »

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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014 Sem categoria | 10:58

Está com medo de mudar? Leia isso.

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Nunca é tarde demais para você se transformar naquilo que sempre sonhou ser.

Nunca é tarde demais para você se transformar naquilo que sempre sonhou ser.

Encontro meu amigo numa festa. Fazia tempo que não nos víamos. Ele me conta do quanto está feliz. De como mudou a sua vida para melhor. Sua aparência está ótima. Você vê na pele e no brilho do olho quando uma pessoa está num momento bom.

Ele tem 40 anos. Trabalhava há 23 anos no setor financeiro de uma grande empresa. Contas a pagar, recebimentos, administração de grana daqui para lá e de lá para cá. Entrou lá como estagiário. E foi crescendo. Ou ficando. Aquele primeiro emprego se tornou uma carreira. E também um grilhão.

Com o tempo, foi percebendo o que queria da vida. Seu coração não estava em finanças. Estudou arte. Obteve um diploma. Mas veio um casamento. Vieram os filhos. E ele fez o que a maioria de nós faria – se amarrou ao que tinha na mão. Um holerite, um plano de saúde, um vale refeição. Para não correr riscos, correu o maior dos riscos – negar o que a sua voz interior estava lhe dizendo. Isolou a vocação que descobrira em si na caixinha dos desejos inoportunos.

Sabia que aquele trabalho não era o que desejava para si. Mas era o que lhe parecia mais seguro. E um marido e um pai precisa ser sensato. Precisa ser responsável e consequente. Preciso prover. E se sacrificar pela família, se preciso. Então conviveu muitos anos mais com aquele cotidiano. Engordou. Encontrou um companheiro no cigarro. E começou a beber um tantinho além do que seria recomendável.

Seus filhos cresceram. O casamento se desfez. E aos 40 ele tomou a decisão de pedir demissão. Com mais 12 anos no escritório ele já estaria pronto para se aposentar. As pessoas lhe diziam que sossegasse o facho, que tivesse bom senso. Mas ele não tinha mais 12 anos para dar. Ele já tinha sossegado o facho demais. E bom senso, bem, isso ele tinha de sobra: trocou o Excel pela lousa. Passou a dar aulas de arte numa escola pública, fazendo uso da licenciatura que estava há muito no fundo da gaveta, mas que não tinha sido esquecida. E na Brasilândia, periferia de São Paulo, onde as salas não são refrigeradas e onde não se usa gravata nem em dia de enterro.

Hoje ele dá aula em três escolas próximas da sua casa, na Freguesia do Ó. Vendeu o carro – se diz um feliz usuário do sistema de transporte público de São Paulo, quando precisa sair do seu bairro. Parou de fumar. Parou de beber. Desligou a TV – me disse que hoje só a usa para assistir a um filme no Netflix ou para jogar XBOX com o seu filho do meio, de 16 anos, que mora com ele. Ocupa todas as suas manhãs com as classes. E tem as tardes e as noites livres para fazer o que quiser. Inclusive estudar arte.

Eu o cumprimentei efusivamente por ter tido a coragem de fazer tudo isso por si mesmo – coisa que a maioria de nós não tem a coragem de realizar. E tentei lhe apoiar, e lhe confortar, dizendo que, afinal, dinheiro não é tudo, quando ele me atalhou – “Adriano, eu estou ganhando mais agora”.

Sem mais.

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014 Sem categoria | 11:59

A hora de cair fora

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Ei, não está na hora de você ouvir Ray Charles bem alto?

Ei, não está na hora de você ouvir Ray Charles bem alto?

Como empresário, já fui um fornecedor pequeno brigando no meio de gigantes. Ralava para ser relevante. Não tinha as melhores conexões – num lugar em que as conexões eram tudo. Havia uma liturgia ali, regada por relações antigas, que eu não praticava do melhor modo. O ambiente demandava um glossário e um jeito de falar e de agir que não me esforcei muito para dominar. Eu queria estar ali. Mas não à custa de ter que deixar quem eu era do lado de fora da porta ao entrar.

Aí, numa daquelas conversas de fim de reunião, a moça começou a falar de um filme que havia assistido e que se passava na Malásia. Eu perguntei se era ambientado em Kuala Lumpur. E ela me respondeu: “Não, ele se passa Malásia”, meio impaciente por eu não estar prestando atenção à conversa. Então aquele papo, que não tinha a pretensão de significar nada além de uma amenidade acabou ganhando um sentido: há fornecedores imperfeitos, mas há clientes piores ainda.

E eu fiquei por causa da grana.

Como executivo, já trabalhei em ambientes em que fui humilhado. Em que cheguei de boa fé e tomei tapa na cara. (Aguentei o tapa para mostrar fibra. E isso não me valeu de nada.) Ambientes em que não tinha amparo nem para cima, nem para os lados, nem para baixo. Em que não tinha nenhuma certidão de pertencimento a apresentar – o que é um pecado mortal no mundo corporativo. Você precisa escolher bem algumas mãos para beijar se quiser crescer de verdade.

Já trabalhei em lugares em que a gentileza vira obrigação. E em que a rudeza é a regra geral de convivência. Em que para se sentir engrandecido é preciso diminuir quem está à volta. Lugares em que as disputas são vencidas no grito. Ou então antes do grito – pela heráldica do sujeito. (Nunca por mérito.)

Lugares em que para sentar à mesa é preciso saber jogar o jogo das cotoveladas e das rasteiras. Eu me recusei a operar dessa forma. E me dei mal. Poderia ter saído antes. Mas fiquei até o final. Para curtir a vertigem da queda até o último metro. É muito melhor estar livre, em busca de um novo projeto para chamar de seu, do que estar amarrado ao inferno em nome de um salário.

Mas fiquei por causa da grana.

Estamos começando um novo ano. Não sei quem você é nem onde você trabalha. Não sei qual é a sua profissão nem qual é a sua formação ou o cargo que ocupa. Sei só uma coisa, aprendida duramente na experiência, e que gostaria de dividir aqui com você: nada vale a sua felicidade. Nem a sua paz interior. Perdoe o clichê, mas a carreira é curta, e a vida mais curta ainda, para que você se acomode numa posição que você já sabe que só vai lhe envenenar o fígado.

O mercado de trabalho está apinhado de péssimos lugares para trabalhar. E, no entanto, a gente vai ficando, tentando se adaptar a chefes brutais, a colegas desonestos, a patrões que não valem um peido de vaca. Em nome de um salário e de um pacote de benefícios. Diante disso, só resta riscar uma linha no chão e saber exatamente a partir de que ponto você não vai deixar ninguém passar. Inclusive para não acreditar que a inadaptação àquele ambiente decorre de um problema com você. Inclusive para não correr o risco de virar um daqueles chefes, um daqueles colegas, um daqueles patrões.

Se eu pudesse lhe dizer só uma coisa, lhe diria isso, de todo o coração: sempre que a única razão para ficar for a grana, caia fora.

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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014 Sem categoria | 10:29

Descubra qual é o seu lugar ao sol

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As respostas estão todas dentro de você

As respostas estão todas dentro de você

Recebi há poucos dias esta mensagem de uma leitora da coluna:

“Adriano, li um artigo seu e tomei a liberdade de lhe escrever este e-mail.

“Tenho 21 anos, estou pensando na minha carreira profissional, quero fazer uma faculdade, a princípio uma que ofereça EAD (Ensino à Distância).

“Nunca me imaginei sendo professora, sempre achei que não era pra mim, mas agora estou pensando seriamente em fazer Pedagogia, e me especializar na área infantil. Gosto muito de crianças e penso que é uma carreira que oferece uma entrada mais fácil no mercado de trabalho – sempre há vagas. A remuneração não é lá essas coisas, mas acredito que iria me sentir bem trabalhando com crianças.

“Também já me imaginei sendo massoterapeuta. Acredito que essa profissão está crescendo bastante…

“Eis a minha dúvida – o que eu deveria fazer? Às vezes me sinto perdida, sem saber pra onde correr, nem o que fazer…”

Querida leitora,

Obrigado por ler a minha coluna e por enviar a sua dúvida.

Penso que, aos 21 anos, você tem que experimentar. O melhor jeito de aprender é fazendo. Isso vale para carreira também. Meta a mão na massa. Ninguém lhe dará um melhor conselho do que a sua própria experiência.

Você tem, hoje, dois interesses profissionais. E você tem pelo menos 50 anos à sua frente para ser muito feliz profissionalmente. Fazendo uma dessas duas coisas. Ou tendo duas carreiras – uma em cada uma dessas profissões. Ou chafurdando em outras atividades que lhe encantarem ao longo do caminho – e que talvez nem tenham sido inventadas hoje.

Talvez você também possa tocar esses dois projetos em paralelo, pelos próximos anos. Enquanto você faz um curso de Pedagogia, e mais tarde, quem sabe, uma especialização em Psicologia Infantil, num curso presencial ou à distância, você pode se desenvolver como uma massoterapeuta, seja por meio de um curso de Fisioterapia, seja como uma técnica da área.

A questão da grana é importante, claro. Mas não é a única. Não esqueça disso. Uma coisa é o tanto que você coloca no bolso no fim do mês. Outra é o que vai fazer você sair feliz da cama de manhã, todos os dias do mês. O ideal é que essas duas luzes estejam verdes para você. Só uma, não adianta.

Em relação à demanda que há no mercado para uma determinada atividade, entenda que isso varia muito. Profissões quentíssimas há dez anos hoje nem existem mais. O que vai estar bombando daqui a cinco anos a gente nem tem como prever hoje. Portanto, sua decisão não pode estar ancorada nessa análise “externa” da situação. É fundamental você olhar para dentro e entender realmente o que faz seu olho brilhar. Somente depois disso, pense na capacidade do mercado de lhe absorver como uma nova profissional da área – inclusive porque, para bons profissionais, mesmo em setores disputados, sempre haverá um lugar ao sol.

O importante é descubrir qual é o sonho. O que lhe faz feliz. E correr atrás dele. Hoje, amanhã e depois de amanhã. Partiu. Beijo – e boa sorte!

Feliz Ano Novo!

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