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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014 Sem categoria | 13:20

Como numa mesa de pôquer

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Apostar mais ou cair fora?

Apostar mais ou cair fora?

Você é empreendedor? Está pensando em empreender? Então saiba que um novo negócio não dar certo não é o problema. Ouvi isso de um sócio, anos atrás. Era um cara escaldado, que já tinha aberto e fechado várias empresas. Quando uma iniciativa mostra claramente que não vai adiante, a decisão a tomar é fácil: liquida-se a fatura e parte-se para outra. Não há vergonha alguma nisso.

Quem está no empreendimento tem que estar preparado para essa eventualidade. Todo dia um cliente pode entrar e todo dia um cliente pode sair. Todo dia você pode acordar e ver pela janela a sua horta verdejando – mas pode também vê-la esturricar ao sol, inapelavelmente, ou então ser devorada por uma nuvem implacável de gafanhotos. É do jogo. Basta que você esteja preparado para dar baixa naquela iniciativa e começar outra.

O grande problema, como colocou meu ex-sócio, não é a “merda”, mas a “meia merda”. Quando o negócio não está indo para frente mas também não está ruim o suficiente para que você perca as esperanças. Aí é que mora o perigo. Aí é que você pode perder um bocado de dinheiro. Na hesitação entre ir embora e continuar tentando, há um poço sem fundo.

Num dia você ficará pensando que o melhor é realizar logo o prejuízo e parar de enfiar tempo e grana numa operação que não mostra o menor sinal de que vá retornar esse investimento. No dia seguinte, você pensará que é preciso ter fé, que é preciso ter coragem, que é preciso insistir mais um pouco, que se fosse fácil qualquer um faria, que é preciso ralar para ganhar.

Há também o envolvimento emocional com o negócio. Você planejou, você sonhou, você batalhou, você suou, empenhou seu talento e seu dinheiro. Dar o tiro na nuca de um filho é uma decisão terrível. Nessas horas, é preciso ter frieza. Agir racionalmente. Mas peraí: não foi exatamente a paixão e o entusiasmo que lhe fizeram acreditar? Como deixar de acreditar agora? Ou melhor: qual a hora certa para deixar de acreditar?

Você está se enganando e deveria cair logo na real? Ou você deveria se agarrar ao bote e descer as corredeiras porque lá embaixo tem um lago de águas tranquilas e cheias de peixe?

Cada um encontrará a sua resposta. Há situações em que sair o quanto antes é o melhor a fazer. E outras em que a coisa certa é ficar e aguentar o tranco porque a virada está logo depois da próxima esquina. Não há como saber. Ainda assim, você terá que se decidir. E rápido. Com base em análise e experiência. E com base em intuição também. Como numa mesa de pôquer.

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013 Sem categoria | 09:26

De funcionário público a empreendedor. Por que não?

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Quem já vestiu essa camiseta por baixo da camisa social do emprego não tem alternativa senão ir lá e tentar a mão.

Quem já vestiu essa camiseta por baixo da camisa social do emprego não tem alternativa senão ir lá e tentar a mão.

Um companheiro de ingenuidade me escreve:

“Acompanho seu Manual há muito tempo. E confesso que tenho andado inquieto. Talvez eu já estivesse insatisfeito quando comecei a lê-lo, só não havia me dado conta. Tenho 35 anos, sou funcionário público. Achei que estabilidade era tudo o que eu queria e que depois de passar num concurso minha vida profissional não seria mais preocupação. Estabilidade, pouca pressão, bom salário… E muito tédio! Sinto vontade de empreender, de fazer algo novo, de fazer a diferença no mundo. Trabalho numa área absolutamente burocrática. Queria realmente começar uma carreira nova. O que tenho vontade de fazer não tem nada a ver com o que fiz até o momento. Será que ainda dá tempo? Sou pai de família, mas tenho um pé de meia, que me daria algum folego até começar a ganhar dinheiro numa área nova… Vale a pena tentar? Por onde começar? Estou precisando de ajuda, Adriano.”

Caro amigo,

Você vive uma situação de estabilidade que é o sonho de muitos brasileiros – especialmente nestes tempos bicudos que vivemos. (2013 talvez venha a ser conhecido como o ano da crise que não ousou dizer seu nome. Ou que ninguém teve a coragem de chamar pelo nome certo.) Provavelmente esse já foi o seu sonho também, a julgar pelo que você escreveu. Um sonho que você realizou. E que agora está se provando mais baixo e mais magro do que as expectativas que você tem para a sua carreira e a sua vida.

Há muito empreendedor que sonha secretamente em ter um pouco mais desse tédio em sua vida. Em dormir mais tranquilo, em acordar menos ansioso. E, no entanto, você está querendo um pouco mais de pressão e de desafio em sua rotina. O que é um desejo absolutamente lícito – e que fala muito (e bem) de você. “Sinto vontade de fazer diferença no mundo”. Clap, clap, clap. Precisamos de mais gente como você nas repartições públicas!

O bom é que você pode ter, nesse primeiro momento, e durante um bom tempo ainda, o melhor dos dois mundos. Sem negligenciar seu emprego, você pode começar a montar o seu negócio. Com calma. Apressando-se devagar. Com tino e ritmo – mas sem desespero nem afobação.

Com relação às suas questões específicas, eis o que tenho a dizer:

“Queria realmente começar uma carreira nova. O que tenho vontade de fazer não tem nada a ver com o que fiz até o momento. Será que ainda dá tempo?”
Claro que dá. Você ainda está jogando o primeiro tempo da vida. Aos 35, você apenas acumulou experiência para saltar do jeito certo. Você não perdeu tempo algum até aqui. E também, por outro lado, tempo é o que não lhe falta daqui para a frente.

“Sou pai de família, mas tenho um pé de meia, que me daria algum folego até começar a ganhar dinheiro numa área nova… Vale a pena tentar?”
Claro que vale. Mas eu não mexeria no seu pé de meia. É louvável que você esteja disposto a isso. Só demonstra a sua coragem empreendedora e o quanto você está comprometido com essa decisão de mudar de ares. Mas acho que o que você conquistou até agora financeiramente deveria ser encarado como a sua poupança para a velhice. Como a sua aposentadoria. Há outros meios de financiar a sua empreitada. Inclusive mantendo por mais algum tempo o emprego que você tem hoje.

“Por onde começar?”
Por uma ideia na qual você acredite. Que tenha a ver com você. E que represente uma oferta melhor, mais rápida, maior ou mais barata para atender a uma demanda existente no mercado. Ao que parece, você já sabe o que quer fazer. Entenda apenas se é isso que as pessoas estão precisando que você faça. Se elas estariam dispostas a lhe pagar por isso. Eis a gênese de um bom plano de negócios. (E me ocorre que, como funcionário público, talvez você tenha um bom descortínio sobre o que está faltando na vida das pessoas. Talvez haja grandes oportunidades clamando por serem atendidas nesse momento, em cima da sua mesa, bem debaixo do seu nariz.)

Boa sorte!

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segunda-feira, 18 de novembro de 2013 Sem categoria | 14:34

Você é executivo, empresário ou empreendedor?

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entrepreneurHá uma dimensão do profissional que é o talento que ele carrega, que são as competências que ele desenvolveu.

E há uma outra dimensão que é a aplicação efetiva que ele consegue fazer dessa potência e desses diferenciais. Ninguém é bom no éter – você sempre será bom fazendo alguma coisa em um determinado ambiente. Não raro, uma alteração nessas condições faz com que o seu desempenho sofra mutações drásticas – para cima ou para baixo.

Há quem seja muito bom executivo, trabalhando numa grande estrutura. É o sujeito que brilha em reuniões, sabe costurar bem para cima, para baixo e para os lados, flana pelos corredores e está sempre na lista dos promovíveis. Não necessariamente esse profissional vai se dar bem longe do ambiente refrigerado de uma corporação.

Há quem seja muito bom empresário, mas partindo de um certo volume de investimentos, com um conjunto mínimo de recursos postos a sua disposição. É o capitão de indústria, um cara que sabe liderar times em direção a um determinado objetivo. Não necessariamente esse cara se dará bem sozinho, no meio do mato, sem um pelotão para comandar, sem armas nem mantimentos, munido de apenas uma faca, e de uma barrinha de cereais, em meios às feras.

E há quem goste mesmo é de tirar empresas do chão, de criar negócios do zero – esses são os empreendedores. Esses são os caras das start ups – que não necessariamente se darão bem como executivos numa estrutura corporativa (quase nunca, aliás) nem à frente da expansão de um novo negócio com muitos recursos à sua disposição para administrar, com muitos interlocutores a atender. Esses são os caras da ideia, da explosão criativa, e da iniciativa em seu estado mais puro – que é fazer, botar na rua, aprender, adaptar, carpir, melhorar.

O empreendedor é o cara do rascunho, do rafe, do layout. O empresário é o cara que só trabalha em cima de uma arte final já bem definida. E o executivo é o cara da gráfica, encarregado de reproduzir o arquivo fechado dentro dos padrões definidos lá atrás.

O empreendedor é um general operando em beta. O empresário é um general que só opera em alfa. Os executivos são os oficiais que ocupam as casamatas, depois que elas são erguida, e fazem as ordens circularem.

Essas distinções são muito importantes para que você saiba exatamente qual é a sua bitola no mercado de trabalho. E para que você não imagine que não tem talento ou que é incompetente só porque não está brilhando em determinada seara do mundo dos negócios – talvez ela, a seara, não seja a mais indicada para você. Só isso. Troque de ares.

Eu já fui executivo. Tenho atuado no empreendimento. Talvez um dia reúna condições de ser também um empresário.

Do que conheço, posso dizer que para ser um bom executivo é preciso saber atuar. É preciso saber jogar junto. Às vezes é preciso baixar o volume do próprio instrumento – porque é valorizando o solo alheio que se ganha o direito de solar. (No sentido musical e não no futebolístico, por favor.)

E para um dar certo no empreendimento, no mundo das start ups, é preciso realizar. É preciso saber jogar sozinho. E aumentar o som do seu instrumento e encher o palco com o seu solo – inclusive porque muitas vezes você será a sua própria banda. E porque, muitas vezes, você só terá uma chance de fazê-lo. Para inventar uma empresa onde antes havia nada, é preciso ter um motor extra, que puxe na frete e ao mesmo tempo empurre por detrás. É preciso ignorar a tremenda inércia que sempre joga contra quem está inventando o novo – e seguir caminhando contra ela. É preciso ter disposição para apanhar e seguir adiante, sem pedir água, sem desistir, sem sentir pena de si. Não é fácil. Mas, se fosse fácil, qualquer um fazia.

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