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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014 Sem categoria | 10:02

É preciso ter um propósito – ou a vida fica muito chata

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Quem tem uma causa está sempre trabalhando para si mesmo - até quando trabalha para os outros

Quem tem uma causa está sempre trabalhando para si mesmo – até quando trabalha para os outros

Recebo a seguinte mensagem de uma leitora do Manual, por obra deste artigo que publiquei esses dias:

“Querido Adriano,

Queria muito poder abrir mão desse componente que apesar de não ser essencial, parece: a grana. Pode parecer contraditório mas a angústia, o frio na barriga e o medo do incerto nessa altura do campeonato são maiores do que os sapões engolidos todo santo dia.

Vamos à minha história, que carinhosamente chamo de ‘parece, mas não é’. E desculpe se volto muito ao passado, mas ele explica grande parte das minhas inseguranças no mundo profissional.

Mãe: trabalhou por 35 anos na mesma empresa, onde começou como office-girl e se aposentou como gerente financeira, muito respeitada. Foi a responsável pela provisão em casa. Criou as duas filhas com limitações, mas sempre buscando o melhor. Leia-se: estudamos sempre em escolas particulares, mas não íamos à Disney todo ano como nossas coleguinhas de sala.

Pai: sempre fez de tudo um pouco, de maneira bem instável, é verdade, mas sempre se desdobrando para também dar o melhor às duas filhas. Trabalhou em editoras como representante de vendas, em corretora de seguros, em banco e até arriscou por duas vezes um negócio próprio mas nunca foi para a frente. Minha mãe sempre dizia que ele não nasceu para ter chefe. Meu pai parou de trabalhar antes da minha mãe e ficava em casa conosco.

Isso explica muito minha insegurança no mundo do empreendedorismo. Se tenho uma família a sustentar e um padrão de conforto a manter, preciso de estabilidade, não posso me aventurar.

Me formei em faculdade de primeira linha na minha área (Marketing), fiz pós-graduação, e sempre trabalhei em multinacionais que me deram um belo currículo. Mas além do currículo, essas mesmas empresas me deram experiência e me fizeram enxergar ao longo do caminho que nada vale a pena no mundo corporativo. Não vale a pena se sacrificar, pois no final do ano, sua avaliação de performance será medíocre comparada com o colega que ainda acha que beijar as mãos do chefe vale a pena. Não vale a pena vender mais, quem está ganhando nesse jogo é a pessoa jurídica e os acionistas dela e não você. Não vale a pena ser respeitado, ser referência pois tudo é efêmero nesse mundo. Enfim, poderia tecer uma lista gigantesca de todos os inconvenientes do mundo corporativo. Mas você já fez isso de maneira brilhante no artigo.

 Hoje sou uma gerente, especialista pois não tenho equipe, o que é um dos motivos da minha frustração. Pareço ter um cargo importante, em uma multinacional importante, com um salário bem adequado a essa importância toda e tenho amigos que me consideram uma profissional de moderado sucesso.

Como eu vejo: uma especialista que entende de tudo um pouco na minha área, que só é gerente por que o título do cargo é esse, cujo salário é uma prisão e que está cada vez mais frustrada, faz cada vez menos e cada vez pior as tarefas do dia a dia, empurrando mesmo com a barriga. Faço o que deve ser feito. Nem um passo a mais. Não gosto do que faço e, a bem da verdade, não faço muita coisa pois as verbas são cada vez menores.

Minha prisão:

– Um bom salário: que chega a ser o triplo do salário do meu marido e que sustenta grande parte do nosso padrão de vida e me dá a segurança de que consigo criar bem meu filho

– Um chefe que fica em outro país: o que me dá a tranquilidade de não ter alguém na minha cola, me cobrando o tempo todo e me avaliando a todo minuto

– Flexibilidade: entro a hora que quero, saio a hora que quero, posso trabalhar em casa. Levar e buscar meu filho na escola, ficar com ele em casa quando ele está doente.

Meu dilema:

Por que largar um emprego dos sonhos como esse (é o que sempre escuto) e partir para um negócio próprio? Não seria melhor manter o status quo e garantir um bom futuro para meu filho? Por que largar um emprego em que tenho vantagens que não passam de sonho para outras pessoas?

Tenho proposta para ir para outra empresa. Durante um tempo, a euforia do aprendizado me faria crer que tomei a decisão certa, quando na verdade só estaria mudando de CNPJ e quiçá para uma situação pior, sem as vantagens que tenho hoje. Mudar de lado? Ir para o lado do fornecedor, da agência, da consultoria, seria oportunidade de aprender coisas novas e talvez a euforia durasse mais tempo, mas no fim das contas, só demoraria um pouco mais para desanimar de novo (sem contar as desvantagens da falta de horário, do sacrifício, das mãos a serem beijadas – afinal tudo isso existe do outro lado também.)

Sim, a grana é importante para mim agora, mas não aguento mais a situação. Além disso, não faço ideia do que fazer, de uma alternativa, do que gosto, de algo em que sou muito boa, de algo que as pessoas falem que eu deveria ganhar dinheiro com aquilo.

Incrível como a história influencia nosso destino e nossas decisões. Sou aquela mesma alma do meu pai que quer se livrar do mundo corporativo, aprisionada na segurança e na estabilidade que minha mãe transmitiu serem tão importantes.

E enquanto escrevia esse texto me dei conta de que tenho um tesouro nas mãos! Tempo. Me dei conta de que preciso utilizar essa flexibilidade e tempo livre que tenho e canalizar energias para:

1.          Encontrar o que me faz feliz – o caminho do autoconhecimento, como você muito bem coloca;

2.         Investir nessa felicidade enquanto tenho a segurança e estabilidade que a corporação me oferece, por mais injusto que isso possa parecer com a empresa. Mas, no final das contas, o que é justo no jogo corporativo, não é mesmo?

Obrigada por me encaminhar a essa reflexão. E, mais uma vez, desculpe o tamanho do desabafo. Abs!”

Trata-se, como se vê, da reflexão de uma executiva experiente e bem formada. Uma reflexão que fala com a minha vida e com a sua. E que, portanto, nos permite pensar juntos. Coloco aqui a minha análise. E, como sempre, você está convidado para colocar a sua, OK?

Cara leitora,

Há dois pontos claros no seu depoimento. Leia mais »

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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014 Sem categoria | 10:58

Está com medo de mudar? Leia isso.

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Nunca é tarde demais para você se transformar naquilo que sempre sonhou ser.

Nunca é tarde demais para você se transformar naquilo que sempre sonhou ser.

Encontro meu amigo numa festa. Fazia tempo que não nos víamos. Ele me conta do quanto está feliz. De como mudou a sua vida para melhor. Sua aparência está ótima. Você vê na pele e no brilho do olho quando uma pessoa está num momento bom.

Ele tem 40 anos. Trabalhava há 23 anos no setor financeiro de uma grande empresa. Contas a pagar, recebimentos, administração de grana daqui para lá e de lá para cá. Entrou lá como estagiário. E foi crescendo. Ou ficando. Aquele primeiro emprego se tornou uma carreira. E também um grilhão.

Com o tempo, foi percebendo o que queria da vida. Seu coração não estava em finanças. Estudou arte. Obteve um diploma. Mas veio um casamento. Vieram os filhos. E ele fez o que a maioria de nós faria – se amarrou ao que tinha na mão. Um holerite, um plano de saúde, um vale refeição. Para não correr riscos, correu o maior dos riscos – negar o que a sua voz interior estava lhe dizendo. Isolou a vocação que descobrira em si na caixinha dos desejos inoportunos.

Sabia que aquele trabalho não era o que desejava para si. Mas era o que lhe parecia mais seguro. E um marido e um pai precisa ser sensato. Precisa ser responsável e consequente. Preciso prover. E se sacrificar pela família, se preciso. Então conviveu muitos anos mais com aquele cotidiano. Engordou. Encontrou um companheiro no cigarro. E começou a beber um tantinho além do que seria recomendável.

Seus filhos cresceram. O casamento se desfez. E aos 40 ele tomou a decisão de pedir demissão. Com mais 12 anos no escritório ele já estaria pronto para se aposentar. As pessoas lhe diziam que sossegasse o facho, que tivesse bom senso. Mas ele não tinha mais 12 anos para dar. Ele já tinha sossegado o facho demais. E bom senso, bem, isso ele tinha de sobra: trocou o Excel pela lousa. Passou a dar aulas de arte numa escola pública, fazendo uso da licenciatura que estava há muito no fundo da gaveta, mas que não tinha sido esquecida. E na Brasilândia, periferia de São Paulo, onde as salas não são refrigeradas e onde não se usa gravata nem em dia de enterro.

Hoje ele dá aula em três escolas próximas da sua casa, na Freguesia do Ó. Vendeu o carro – se diz um feliz usuário do sistema de transporte público de São Paulo, quando precisa sair do seu bairro. Parou de fumar. Parou de beber. Desligou a TV – me disse que hoje só a usa para assistir a um filme no Netflix ou para jogar XBOX com o seu filho do meio, de 16 anos, que mora com ele. Ocupa todas as suas manhãs com as classes. E tem as tardes e as noites livres para fazer o que quiser. Inclusive estudar arte.

Eu o cumprimentei efusivamente por ter tido a coragem de fazer tudo isso por si mesmo – coisa que a maioria de nós não tem a coragem de realizar. E tentei lhe apoiar, e lhe confortar, dizendo que, afinal, dinheiro não é tudo, quando ele me atalhou – “Adriano, eu estou ganhando mais agora”.

Sem mais.

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014 Sem categoria | 11:59

A hora de cair fora

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Ei, não está na hora de você ouvir Ray Charles bem alto?

Ei, não está na hora de você ouvir Ray Charles bem alto?

Como empresário, já fui um fornecedor pequeno brigando no meio de gigantes. Ralava para ser relevante. Não tinha as melhores conexões – num lugar em que as conexões eram tudo. Havia uma liturgia ali, regada por relações antigas, que eu não praticava do melhor modo. O ambiente demandava um glossário e um jeito de falar e de agir que não me esforcei muito para dominar. Eu queria estar ali. Mas não à custa de ter que deixar quem eu era do lado de fora da porta ao entrar.

Aí, numa daquelas conversas de fim de reunião, a moça começou a falar de um filme que havia assistido e que se passava na Malásia. Eu perguntei se era ambientado em Kuala Lumpur. E ela me respondeu: “Não, ele se passa Malásia”, meio impaciente por eu não estar prestando atenção à conversa. Então aquele papo, que não tinha a pretensão de significar nada além de uma amenidade acabou ganhando um sentido: há fornecedores imperfeitos, mas há clientes piores ainda.

E eu fiquei por causa da grana.

Como executivo, já trabalhei em ambientes em que fui humilhado. Em que cheguei de boa fé e tomei tapa na cara. (Aguentei o tapa para mostrar fibra. E isso não me valeu de nada.) Ambientes em que não tinha amparo nem para cima, nem para os lados, nem para baixo. Em que não tinha nenhuma certidão de pertencimento a apresentar – o que é um pecado mortal no mundo corporativo. Você precisa escolher bem algumas mãos para beijar se quiser crescer de verdade.

Já trabalhei em lugares em que a gentileza vira obrigação. E em que a rudeza é a regra geral de convivência. Em que para se sentir engrandecido é preciso diminuir quem está à volta. Lugares em que as disputas são vencidas no grito. Ou então antes do grito – pela heráldica do sujeito. (Nunca por mérito.)

Lugares em que para sentar à mesa é preciso saber jogar o jogo das cotoveladas e das rasteiras. Eu me recusei a operar dessa forma. E me dei mal. Poderia ter saído antes. Mas fiquei até o final. Para curtir a vertigem da queda até o último metro. É muito melhor estar livre, em busca de um novo projeto para chamar de seu, do que estar amarrado ao inferno em nome de um salário.

Mas fiquei por causa da grana.

Estamos começando um novo ano. Não sei quem você é nem onde você trabalha. Não sei qual é a sua profissão nem qual é a sua formação ou o cargo que ocupa. Sei só uma coisa, aprendida duramente na experiência, e que gostaria de dividir aqui com você: nada vale a sua felicidade. Nem a sua paz interior. Perdoe o clichê, mas a carreira é curta, e a vida mais curta ainda, para que você se acomode numa posição que você já sabe que só vai lhe envenenar o fígado.

O mercado de trabalho está apinhado de péssimos lugares para trabalhar. E, no entanto, a gente vai ficando, tentando se adaptar a chefes brutais, a colegas desonestos, a patrões que não valem um peido de vaca. Em nome de um salário e de um pacote de benefícios. Diante disso, só resta riscar uma linha no chão e saber exatamente a partir de que ponto você não vai deixar ninguém passar. Inclusive para não acreditar que a inadaptação àquele ambiente decorre de um problema com você. Inclusive para não correr o risco de virar um daqueles chefes, um daqueles colegas, um daqueles patrões.

Se eu pudesse lhe dizer só uma coisa, lhe diria isso, de todo o coração: sempre que a única razão para ficar for a grana, caia fora.

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014 Sem categoria | 13:20

Como numa mesa de pôquer

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Apostar mais ou cair fora?

Apostar mais ou cair fora?

Você é empreendedor? Está pensando em empreender? Então saiba que um novo negócio não dar certo não é o problema. Ouvi isso de um sócio, anos atrás. Era um cara escaldado, que já tinha aberto e fechado várias empresas. Quando uma iniciativa mostra claramente que não vai adiante, a decisão a tomar é fácil: liquida-se a fatura e parte-se para outra. Não há vergonha alguma nisso.

Quem está no empreendimento tem que estar preparado para essa eventualidade. Todo dia um cliente pode entrar e todo dia um cliente pode sair. Todo dia você pode acordar e ver pela janela a sua horta verdejando – mas pode também vê-la esturricar ao sol, inapelavelmente, ou então ser devorada por uma nuvem implacável de gafanhotos. É do jogo. Basta que você esteja preparado para dar baixa naquela iniciativa e começar outra.

O grande problema, como colocou meu ex-sócio, não é a “merda”, mas a “meia merda”. Quando o negócio não está indo para frente mas também não está ruim o suficiente para que você perca as esperanças. Aí é que mora o perigo. Aí é que você pode perder um bocado de dinheiro. Na hesitação entre ir embora e continuar tentando, há um poço sem fundo.

Num dia você ficará pensando que o melhor é realizar logo o prejuízo e parar de enfiar tempo e grana numa operação que não mostra o menor sinal de que vá retornar esse investimento. No dia seguinte, você pensará que é preciso ter fé, que é preciso ter coragem, que é preciso insistir mais um pouco, que se fosse fácil qualquer um faria, que é preciso ralar para ganhar.

Há também o envolvimento emocional com o negócio. Você planejou, você sonhou, você batalhou, você suou, empenhou seu talento e seu dinheiro. Dar o tiro na nuca de um filho é uma decisão terrível. Nessas horas, é preciso ter frieza. Agir racionalmente. Mas peraí: não foi exatamente a paixão e o entusiasmo que lhe fizeram acreditar? Como deixar de acreditar agora? Ou melhor: qual a hora certa para deixar de acreditar?

Você está se enganando e deveria cair logo na real? Ou você deveria se agarrar ao bote e descer as corredeiras porque lá embaixo tem um lago de águas tranquilas e cheias de peixe?

Cada um encontrará a sua resposta. Há situações em que sair o quanto antes é o melhor a fazer. E outras em que a coisa certa é ficar e aguentar o tranco porque a virada está logo depois da próxima esquina. Não há como saber. Ainda assim, você terá que se decidir. E rápido. Com base em análise e experiência. E com base em intuição também. Como numa mesa de pôquer.

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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014 Sem categoria | 10:29

Descubra qual é o seu lugar ao sol

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As respostas estão todas dentro de você

As respostas estão todas dentro de você

Recebi há poucos dias esta mensagem de uma leitora da coluna:

“Adriano, li um artigo seu e tomei a liberdade de lhe escrever este e-mail.

“Tenho 21 anos, estou pensando na minha carreira profissional, quero fazer uma faculdade, a princípio uma que ofereça EAD (Ensino à Distância).

“Nunca me imaginei sendo professora, sempre achei que não era pra mim, mas agora estou pensando seriamente em fazer Pedagogia, e me especializar na área infantil. Gosto muito de crianças e penso que é uma carreira que oferece uma entrada mais fácil no mercado de trabalho – sempre há vagas. A remuneração não é lá essas coisas, mas acredito que iria me sentir bem trabalhando com crianças.

“Também já me imaginei sendo massoterapeuta. Acredito que essa profissão está crescendo bastante…

“Eis a minha dúvida – o que eu deveria fazer? Às vezes me sinto perdida, sem saber pra onde correr, nem o que fazer…”

Querida leitora,

Obrigado por ler a minha coluna e por enviar a sua dúvida.

Penso que, aos 21 anos, você tem que experimentar. O melhor jeito de aprender é fazendo. Isso vale para carreira também. Meta a mão na massa. Ninguém lhe dará um melhor conselho do que a sua própria experiência.

Você tem, hoje, dois interesses profissionais. E você tem pelo menos 50 anos à sua frente para ser muito feliz profissionalmente. Fazendo uma dessas duas coisas. Ou tendo duas carreiras – uma em cada uma dessas profissões. Ou chafurdando em outras atividades que lhe encantarem ao longo do caminho – e que talvez nem tenham sido inventadas hoje.

Talvez você também possa tocar esses dois projetos em paralelo, pelos próximos anos. Enquanto você faz um curso de Pedagogia, e mais tarde, quem sabe, uma especialização em Psicologia Infantil, num curso presencial ou à distância, você pode se desenvolver como uma massoterapeuta, seja por meio de um curso de Fisioterapia, seja como uma técnica da área.

A questão da grana é importante, claro. Mas não é a única. Não esqueça disso. Uma coisa é o tanto que você coloca no bolso no fim do mês. Outra é o que vai fazer você sair feliz da cama de manhã, todos os dias do mês. O ideal é que essas duas luzes estejam verdes para você. Só uma, não adianta.

Em relação à demanda que há no mercado para uma determinada atividade, entenda que isso varia muito. Profissões quentíssimas há dez anos hoje nem existem mais. O que vai estar bombando daqui a cinco anos a gente nem tem como prever hoje. Portanto, sua decisão não pode estar ancorada nessa análise “externa” da situação. É fundamental você olhar para dentro e entender realmente o que faz seu olho brilhar. Somente depois disso, pense na capacidade do mercado de lhe absorver como uma nova profissional da área – inclusive porque, para bons profissionais, mesmo em setores disputados, sempre haverá um lugar ao sol.

O importante é descubrir qual é o sonho. O que lhe faz feliz. E correr atrás dele. Hoje, amanhã e depois de amanhã. Partiu. Beijo – e boa sorte!

Feliz Ano Novo!

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terça-feira, 17 de dezembro de 2013 Sem categoria | 09:46

Não fique parado

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Mova-se rápido - nem precisa quebrar nada.

Mova-se rápido – nem precisa quebrar nada.

Nunca aquela história de pensar grande e começar pequeno foi tão verdadeira.

Não fique parado. 2013 foi um ano estranho, para dizer o mínimo. Há um clima recessivo por aí que ninguém está ousando chamar pelo nome certo. Nessas horas é que precisamos nos mexer. Não se deixe paralisar pelo medo. Nem pela grandiosidade do negócio que está em sua cabeça. Comece hoje. Comece do tamanho que puder. Mas comece. Para chegar onde você sonha, é preciso dar o primeiro passo. Quanto antes você começar, melhor.

E mova-se rápido. “Move fast”, na expressão de Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook. Mexa-se, avance. É importante pensar e planejar – mas é fundamental agir também. Saia do imobilismo. É andando que se aprende a andar. É caindo que se aprende a ficar de pé.

Os meios de produção nunca estiveram tão à disposição de tantos. As barreiras de entrada, para quase todo negócio, nunca foram tão baixas. Não há desculpas para não tentar. Então faseie o seu plano de negócio, fatie-o em etapas, e avance por ele modularmente. Um dia de cada vez. Apressando-se devagar.

Não deu certo? Saia, retroceda com a mesma celeridade. A regra de se mover rápido vale para ambos os sentidos. “Fail faster” – fracasse rapidamente. Para se reerguer e seguir adiante. Sem vergonha de aprender. Eis aí a ideia poderosa de testar e adaptar – que implica também não parar de se desenvolver nunca.

Estar começando significa ser pequeno o suficiente para errar e ir adiante, sem desmoronar. É ótimo ter um tamanho que lhe permita falhar e seguir caminhando, absorvendo o tombo, superando-o, sobrevivendo a ele, saindo dele melhorado. Lance mão disso. É a vantagem competitiva de quem está dando os primeiros passos. (Que bom que a gente nunca perdesse essa capacidade.)

Enfim. Não dá para ficar parado. Ponha-se em movimento. E tenha um ótimo 2014!

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013 Sem categoria | 15:32

Deixai brigar

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Eles tem direito de fazer isso? Eu acho que sim. Mas não nesse lugar, nem desse jeito. (Foto: Geraldo Bubniak/Fotoarena/Folhapress)

Eles tem direito de fazer isso? Eu acho que sim. Mas não nesse lugar, nem desse jeito. (Foto: Geraldo Bubniak/Fotoarena/Folhapress)

Sobre os eventos de ontem em Joinville.

Sou um liberal. Acredito na liberdade e na responsabilidade individuais. Não acredito em controle superior – mas sim na autorregulação que parte das pessoas. Vejo a lei como um acordo que permite a todos os indivíduos cederem um pouco dos seus desejos, encontrarem um território em comum, celebrarem um acordo, e assim viverem juntos em sociedade. Não gosto de Estado grande nem de governo invasivo, que se mete na vida dos cidadãos – seja por meio de assistencialismo ou de totalitarismo. O começo e o fim de tudo é a própria sociedade civil. O condomínio depende dos seus condôminos – e não nos síndicos que elegemos a cada quatro anos para administrá-lo.

Isto posto, quero dizer o seguinte: não há força no mundo que impeça duas pessoas de brigar. O mesmo vale para dois grupos. É como o suicídio – não adianta proibi-lo. Não há força no mundo que impeça um indivíduo de tirar a própria vida, se ele optar por esse caminho. Vale o mesmo para o uso abusivo de drogas, para a obesidade mórbida, para a anorexia (que é tão mórbida quanto), para práticas sexuais extremas. Vale o mesmo para qualquer decisão soberana do indivíduo sobre si mesmo – por mais torta que ela pareça aos demais – desde que ela não implique prejuízo indesejado aos demais. Você pode incentivar, ou desincentivar uma coisa ou outra. Pode moralizar a questão o quanto quiser – pela via da religião, inclusive. Mas é tolo imaginar que possa proibir alguém de fazer o que quiser consigo mesmo.

Ontem, no estádio em Joinville, havia infindáveis metros entre as torcidas. Quem quis pular a cerca ir lá do outro lado brigar teve que correr uma meia maratona para fazê-lo. Ninguém que se envolveu no pau ontem não queria estar lá. Um cordão de isolamento mais ostensivo feito por policiais resolveria o problema? Talvez tivesse impedido, por coação, que tantos se tenham jogado à batalha campal. (Não teria impedido de modo algum o desejo dessas pessoas de fazê-lo, em algum momento, em algum lugar, sem a presença da polícia.) Ou talvez mais policiais com cassetetes e balas de borracha tornassem tudo ainda mais tétrico e sanguinolento. Eis o ponto: a integridade daqueles vândalos pertencia e dependia deles próprios, e não dos policiais. Os escudos e as bombas de efeitos moral da polícia deveriam proteger quem não queria se envolver – não tinham a menor obrigação de proteger os bárbaros deles mesmos. Os bárbaros, de ambos os lados, estavam ali de vontade própria e de acordo entre si: “vamos brigar”.

O papel do Estado e da polícia diante de dois indivíduos, ou de dois grupos, que desejam se medir na brutalidade e na força física, a meu ver, é, sobretudo, garantir que eles não atinjam, com a sua desinteligência, nenhuma pessoa ou grupo que não deseje participar disso. Se o governo é o nosso síndico, se a sua principal função é regular o funcionamento de indivíduos livres, talvez o mais racional fosse organizar esses confrontos – ao invés de tentar bani-los. Você quer brigar? Combine dia, hora e local com quem também queira sair na mão e seja feliz.

Atente apenas para o que você não pode fazer – agredir quem não concordou em participar do confronto. Ou estragar a diversão alheia – num estádio de futebol, num show ou na saída de uma festa. Briguem, se batam, mas noutro lugar, num lugar próprio para isso, que envolva somente os participantes, e não num estádio cheio de famílias, de crianças, de velhos, de muheres, de gente que só queria assistir a um jogo, tomar um picolé, comer uma pipoca doce de saco rosa e torcer para o seu time.

Saiba que eu não quero ver você. Eu não quero cruzar com você. Eu não quero ter que me defender de você. Mas se você encontrar um parceiro de selvageria que tope ser seu adversário, sejam felizes. Marquem pela internet. E combinem algumas regras mínimas, para não haver dúvida sobre a justiça e a lisura do evento, e para que ninguém possa lhes prender ou processar por rasgarem a lei.

Algumas sugestões:

1. Um contra um, não um contra dez. Para outro do seu time assumir, você tem que sair. Ou então em grupos pré combinados: dois contra dois, três contra três, cinco contra cinco. A baixa de um dos participantes implicará na entrada imediata de outro, garantindo sempre a igualdade numérica entre os adversários.
2. Não pode bater em quem estiver caído. Três apoios no chão, a briga será parada até que um substituto entre na rinha.
3. A briga tem que ser na mão e não com uso de utensílios como barras de ferro ou pedaços de pau. Quem é valente briga na mão livre, o resto é coisa de covarde.
4. A briga só está aberta a maiores de 21 anos.
5. Só pode participar quem tiver algum tipo de seguro saúde. Porque, em brigas, as pessoas se machucam. Não há vítimas nem vilões – apenas contendores.
6. A briga termina por tempo. Trinta minutos. Uma hora. Não há vencedores ou perdedores oficiais. Cada um saberá o quanto bateu e o quanto apanhou.

A função da polícia será regular esse confronto e garantir que ele não saia do perímetro pré combinado. E que não implique danos a terceiros e nem ao patrimônio público ou privado. Assim, antes – ou depois – de todo clássico, torcidas rivais teriam seu momento para acertar as contas. Flamengo e Vasco. (Ou mesmo um insuspeito Atlético PR e Vasco.) Corinthians e São Paulo. Grêmio e Inter. Futebol a quem é de futebol – em estádios livres da violência. Briga para quem é de briga – noutro lugar, somente entre quem comungar desse interesse.

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Sem categoria | 09:26

De funcionário público a empreendedor. Por que não?

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Quem já vestiu essa camiseta por baixo da camisa social do emprego não tem alternativa senão ir lá e tentar a mão.

Quem já vestiu essa camiseta por baixo da camisa social do emprego não tem alternativa senão ir lá e tentar a mão.

Um companheiro de ingenuidade me escreve:

“Acompanho seu Manual há muito tempo. E confesso que tenho andado inquieto. Talvez eu já estivesse insatisfeito quando comecei a lê-lo, só não havia me dado conta. Tenho 35 anos, sou funcionário público. Achei que estabilidade era tudo o que eu queria e que depois de passar num concurso minha vida profissional não seria mais preocupação. Estabilidade, pouca pressão, bom salário… E muito tédio! Sinto vontade de empreender, de fazer algo novo, de fazer a diferença no mundo. Trabalho numa área absolutamente burocrática. Queria realmente começar uma carreira nova. O que tenho vontade de fazer não tem nada a ver com o que fiz até o momento. Será que ainda dá tempo? Sou pai de família, mas tenho um pé de meia, que me daria algum folego até começar a ganhar dinheiro numa área nova… Vale a pena tentar? Por onde começar? Estou precisando de ajuda, Adriano.”

Caro amigo,

Você vive uma situação de estabilidade que é o sonho de muitos brasileiros – especialmente nestes tempos bicudos que vivemos. (2013 talvez venha a ser conhecido como o ano da crise que não ousou dizer seu nome. Ou que ninguém teve a coragem de chamar pelo nome certo.) Provavelmente esse já foi o seu sonho também, a julgar pelo que você escreveu. Um sonho que você realizou. E que agora está se provando mais baixo e mais magro do que as expectativas que você tem para a sua carreira e a sua vida.

Há muito empreendedor que sonha secretamente em ter um pouco mais desse tédio em sua vida. Em dormir mais tranquilo, em acordar menos ansioso. E, no entanto, você está querendo um pouco mais de pressão e de desafio em sua rotina. O que é um desejo absolutamente lícito – e que fala muito (e bem) de você. “Sinto vontade de fazer diferença no mundo”. Clap, clap, clap. Precisamos de mais gente como você nas repartições públicas!

O bom é que você pode ter, nesse primeiro momento, e durante um bom tempo ainda, o melhor dos dois mundos. Sem negligenciar seu emprego, você pode começar a montar o seu negócio. Com calma. Apressando-se devagar. Com tino e ritmo – mas sem desespero nem afobação.

Com relação às suas questões específicas, eis o que tenho a dizer:

“Queria realmente começar uma carreira nova. O que tenho vontade de fazer não tem nada a ver com o que fiz até o momento. Será que ainda dá tempo?”
Claro que dá. Você ainda está jogando o primeiro tempo da vida. Aos 35, você apenas acumulou experiência para saltar do jeito certo. Você não perdeu tempo algum até aqui. E também, por outro lado, tempo é o que não lhe falta daqui para a frente.

“Sou pai de família, mas tenho um pé de meia, que me daria algum folego até começar a ganhar dinheiro numa área nova… Vale a pena tentar?”
Claro que vale. Mas eu não mexeria no seu pé de meia. É louvável que você esteja disposto a isso. Só demonstra a sua coragem empreendedora e o quanto você está comprometido com essa decisão de mudar de ares. Mas acho que o que você conquistou até agora financeiramente deveria ser encarado como a sua poupança para a velhice. Como a sua aposentadoria. Há outros meios de financiar a sua empreitada. Inclusive mantendo por mais algum tempo o emprego que você tem hoje.

“Por onde começar?”
Por uma ideia na qual você acredite. Que tenha a ver com você. E que represente uma oferta melhor, mais rápida, maior ou mais barata para atender a uma demanda existente no mercado. Ao que parece, você já sabe o que quer fazer. Entenda apenas se é isso que as pessoas estão precisando que você faça. Se elas estariam dispostas a lhe pagar por isso. Eis a gênese de um bom plano de negócios. (E me ocorre que, como funcionário público, talvez você tenha um bom descortínio sobre o que está faltando na vida das pessoas. Talvez haja grandes oportunidades clamando por serem atendidas nesse momento, em cima da sua mesa, bem debaixo do seu nariz.)

Boa sorte!

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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013 Sem categoria | 12:16

O perfeito idiota de classe média brasileiro

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Scuse me, sir, where is the Hard Rock Cafe?

Scuse me, sir, where is the Hard Rock Cafe?

Ele não faz trabalhos domésticos. Não tem gosto nem respeito por trabalhos manuais. Se puder, atrapalha o trabalho de quem pega no pesado. Aprendi isso em criança: só enfia o pé na lama com gosto quem nunca teve o desgosto de ir para o tanque na área de serviço, depois, esfregar o tênis ou a chuteira debaixo de água fria. Só deixa um resto de bebida secar no fundo de um copo quem nunca teve que fazer o malabarismo de meter a mão lá dentro com uma esponja, com a barriga encostada na pia, para tentar lavá-lo.

Trata-se de uma tradição lusitana, ibérica, que vem sendo reproduzida aqui na colônia desde os tempos em que os negros carregavam em barris, nas costas, a toilete dos seus proprietários, e eram chamados de “tigres” – porque os excrementos lhes caíam sobre as costas, formando listras que lembravam a pelagem do animal. O perfeito idiota de classe média brasileiro, ou PICMB, não ajuda em casa também por influência da mamãe, que nunca deixou que ele participasse das tarefas – nem mesmo por ou tirar uma mesa, nem mesmo arrumar a própria cama. Ele atira suas coisas pela casa, no chão, em qualquer lugar, e as deixa lá, pelo caminho. Não é com ele. Ele foi criado irresponsável e inconsequente. É o tipo de cara que pede um copo d’água deitado no sofá. E não faz nenhuma questão de mudar. O PICMB é um especialista em não fazer, em fazer de conta, em empurrar com a barriga, em se fazer de morto. Ele sabe que alguém fará por ele. Então ele se desenvolveu um sujeito preguiçoso. Folgado. Que se escora nos outros, não reconhece obrigações e que adora levar vantagem. Esse é o seu esporte predileto – transformar quem o cerca em seus otários particulares.

O tempo do perfeito idiota de classe média brasileiro vale mais que o das demais pessoas. É a mãe que fura a fila de carros no colégio dos filhos. É a moça que estaciona em vaga para deficientes ou para idosos no shopping. É o casal que atrasa uma hora num jantar com os amigos. A lei e as regras só valem para os outros. O PICMB não aceita restrições. Para ele, só privilégios e prerrogativas. Um direito divino – porque ele é melhor que todos os outros. É um adepto do vale tudo social, do cada um por si e do seja o que deus quiser. Ele só tem olhos para o próprio umbigo e os únicos interesses válidos são os seus.

O PICMB é o parâmetro de tudo. Quanto mais alguém for diferente dele, mais errado esse alguém estará. Ele tem preconceito contra pretos, pardos, pobres, nordestinos, baixos, gordos, gente do interior, gente que mora longe. E ele é sexista para caramba. Mesma lógica: quem não é da sua tribo, do seu quintal, é torto. E às vezes até quem é da tribo entra na moenda dos seus pré-julgamentos e da sua maledicência. A discriminação também é um jeito de você se tornar externo, e oposto, a um padrão que reconhece em si mas de que não gosta. É quando o narigudo se insurge contra narizes grandes. O PICMB adora isso.

O perfeito idiota de classe média brasileiro vai para Orlando sempre que pode. Acha Miami o lugar mais incrível do mundo. Acha a Europa chata. E a Ásia, um planeta esquisito com gente estranha e amarela que não lhe interessa. Há um tempo, o PICMB descobriu Nova York – para onde vai exclusivamente para comprar. Ficou meia hora dentro do Metropolitan, uma vez, mas achou aquilo aborrecido demais. Come pizza no Sbarro. Joga lixo no chão. Só anda de táxi – metrô, com a galera, nem em Manhattan. Nos anos 90, comprava camiseta no Hard Rock Cafe. Hoje virou um sacoleiro em lojas com Abercrombie & Fitch e Tommy Hillfiger. Depois de toda a farra, ainda troca cotoveladas no free shop para comprar uísque, perfume, chocolate e maquiagem. O PICMB é, sobretudo, um cara cafona. Usa roupas de polo sem saber o lado por onde se monta num cavalo. Nem sabe que aquelas roupas são de polo. Ou que polo é um esporte.

O PICMB adora pagar caro. Faz questão. Não apenas porque, para ele, caro é sinônimo de bom. Mas, principalmente, porque caro é sinônimo de “cheguei lá” e “eu posso” e “veja o quanto eu paguei nesse relógio ou nessa calça da Diesel”. Ele exibe marcas como penduricalhos numa árvore de natal. É assim que se mostra para os outros. Se pudesse, deixaria as etiquetas presas aos itens do vestuário e aos acessórios que carrega. O PICMB é jeca. É brega. Compra para se afirmar, para compensar o vazio e as frustrações, para se expressar de algum modo. O perfeito idiota de classe média brasileiro não se sente idiota pagando 4 000 reais por um console de vídeo game que custa 400 dólares lá fora. Nem acha um acinte pagar 100 000 reais por um carro que vale 25 000 dólares. Essa é a sua religião. Ele não se importa de ficar no vermelho – a preocupação com ter as contas em dias é para os fracos. Ele é o protótipo do novo rico burro. Do sujeito que acha que o bolso cheio pode compensar uma cabeça vazia.

O PICMB é cleptomaníaco. Sua obsessão por ter, e sua mania de locupletação material, lhe fazem roubar roupão de hotel e garrafinha de bebida do avião e amostra grátis de perfume em loja de departamento. Ele pega qualquer amostra de produto que esteja sendo ofertada numa degustação no supermercado. Mesmo que não goste daquilo. O PICMB adora boca livre e hotéis “all inclusive”. Ele adora camarote – quando ele consegue sentir o sangue azul fluindo em suas veias. Ele é a tradução perfeito do que é um pequeno burguês.

O perfeito idiota de classe média brasileiro entende Annita. Vibra com Latino. Seu mundo cabe dentro do imaginário do sertanejo romântico. Ele adora shows megaproduzidos, com pirotecnia, luzes e muita coreografia, cujos ingressos custem mais de 500 reais – mesmo que ele não conheça o artista. Ele não se importa de pagar uma taxa de conveniência escorchante para comprar esse ingresso da maneira mais barata para quem lhe vendeu – pela internet.

E o PICMB detesta ler. Comprou 50 Tons para a mulher. E um livro de autoajuda para si mesmo. Mas agora que a novela está boa ficou difícil achar tempo para ler.

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segunda-feira, 25 de novembro de 2013 Sem categoria | 11:38

Três regras de ouro para quem quer ser feliz no casamento

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Às vezes o matrimônio é simplesmente duas pessoas que decidiram trocar o medo e a tristeza de estarem sozinhas pela raiva e pelo enfaro de estarem acompanhadas.

Às vezes o matrimônio é simplesmente duas pessoas que decidiram trocar o medo e a tristeza de estarem sozinhas pela raiva e pelo enfaro de estarem acompanhadas.

Acho que tudo que precisava ser dito sobre o casamento já foi dito pelo Chris Rock. Pegue outra roupa de baixo, porque você vai molhar essa de tanto rir, e assista isso: http://www.youtube.com/watch?v=YhcOdmUxwqU

Ainda assim, sou daqueles caras essencialmente casados. (Ao contrário dos caras que são essencialmente solteiros. Outro dia desenvolvo essa tese aqui no Manual.) Por ora, saiba que gosto de dormir juntinho, de dividir a vida com alguém, de cozinhar a dois, de ficar de aconchego. Enfim, sou um cara casado.

E ainda não inventaram nada melhor que o casamento para criar filhos. (Bom, dependendo da qualidade da família, é melhor não ter família. Dependendo do nível de ódio que se entre os pais, é melhor que eles não vivam juntos. Às vezes o matrimônio é simplesmente duas pessoas que decidiram trocar o medo e a tristeza de estarem sozinhas pela raiva e pelo enfaro de estarem acompanhadas.)

De todo modo, estando casado há 13 anos – sem contar os cinco anos do casório anterior -, me dou o direito de achar que os casais precisam conciliar três coisas básicas para que um relacionamento nesses moldes dê certo.

1. Gosto pelo sexo
Os dois tem que gostar das mesmas coisas, com a mesma intensidade. Pode ser um casamento sem sexo – se os dois foram inapetentes. Pode ser um casamento sem sexo dentro do casamento – se ambos curtirem a ideia de saciar a sede e de realizar as fantasias fora de casa. Pode ser um casamento com muito sexo, com exclusividade sexual, com panssexualismo, com sexo queridinho, com sexo bruto, com sexo verbal, com sexo tântrico – pode ser qualquer coisa, desde que os dois curtam. Casais que tem paladares sexuais muito diferentes, e expectativas muito díspares na cama, acabam se desentendendo rapidinho. Sexo, que é uma brincadeira a dois, que é um jogo gostoso e divertido, acaba virando um tabu, um ponto nevrálgico, uma armadilha mortal, um inferno para o casal.

2. Uso do dinheiro
É preciso ter uma noção parecida quanto a como administrar o dinheiro. Alguém espartano não consegue viver com um nababo – e vice versa. Se um opera pela lógica do acúmulo, da poupança e do longo prazo, e outro, pela lógica do gasto, do consumo e do curto prazo, a colisão é certa. Talvez um possa influenciar o outro, um possa abrir mão do seu estilo em nome de caminhar uns passos na direção do outro, gerando um ponto de equilíbrio em que as diferenças se somem ao invés de gerarem atrito – mas o mais provável é que os estilos acabem se repelindo e um termine recriminando o outro. Ajuda se ambos tiverem sua fonte de renda e gerirem de modo independente seus recursos, dividindo apenas aquilo que for comum, tendo espaço e prerrogativa para gerir o que sobrar como bem entender. Ainda assim, não é fácil.

3. Relações familiares
Ao lado da cama e do bolso, nada tem mais poder para minar um relacionamento do que o modo como ambos se relacionam com seus familiares. Há quem seja filho eterno, há quem aja como se fosse pais dos seus pais. Há quem não dê a mínima para a família, quem se concentre na descendência e ignore grandemente os ascendentes. Há quem goste de reunir a família toda semana, e de se ver todo dia, e de se ligar toda hora. Há quem ache que duas visitas por ano já está bom demais. De novo, não tem certo nem errado. Cada um saberá o que é melhor para si. O ponto é ter uma visão e uma prática parecida, ou muito bem negociada, entre os dois. Ou o casal vai para a cucuia. Pode até continuar junto, mas terá seu relacionamento azedado de modo irreversível.

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