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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014 Sem categoria | 11:12

Sobre o medo

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O medo é uma prisão mental cuja chave fica no bolso do prisioneiro.

O medo é uma prisão mental cuja chave fica no bolso do prisioneiro.

Medo de não vender e falir.

Medo de vender e não conseguir entregar.

Medo de não ser chamado.
Medo de ser chamado e decepcionar.

Medo de sair do lugar – e perder o lugar.
Medo de nunca sair do lugar.

Medo de que o telefone toque – e a notícia seja ruim.
Medo de que o telefone deixe de tocar.

Medo de dizer a verdade e ofender irreversivelmente.
Medo de reprimir a verdade e criar um monstro dentro de mim.

Medo de dar demais e desvirtuar o outro na sua relação comigo.
Medo de dar pouco e virar um sovina, um austero, um sujeito árido e frio e só.

Medo de prometer e não cumprir.
Medo do compromisso.
Medo de não me comprometer com nada, nunca – e virar um tipo pusilânime.

Medo de morrer hoje. Ou amanhã de manhã.
Medo de viver mais tempo do que a minha condição de viver bem.

Medo da violência que campeia ali na esquina, dizimando integridades cada vez mais perto de mim.
Medo de sentir tanto medo, de abraçar a paranoia, de me deixar paralisar pela metade eternamente vazia do copo. (Não importa quando o enchamos, torrencialmente às vezes, a porra desse copo sempre vai ter uma metade vazia zombando da gente.)

Medo de ficar sem dinheiro.
Medo de virar um escravo do dinheiro.

Medo de ficar sozinho.
Medo de estar acompanhado e ainda assim me sentindo infeliz, e gerando infelicidade. Há um lugar dentro da gente onde ninguém no alcança. Nem nós mesmos.

E o que é o medo? Uma prisão mental cuja chave fica no bolso do prisioneiro. Uma prisão mental em que carcereiro e encarcerado são a mesma pessoa.

 

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