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Arquivo de janeiro, 2014

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014 Sem categoria | 10:58

Está com medo de mudar? Leia isso.

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Nunca é tarde demais para você se transformar naquilo que sempre sonhou ser.

Nunca é tarde demais para você se transformar naquilo que sempre sonhou ser.

Encontro meu amigo numa festa. Fazia tempo que não nos víamos. Ele me conta do quanto está feliz. De como mudou a sua vida para melhor. Sua aparência está ótima. Você vê na pele e no brilho do olho quando uma pessoa está num momento bom.

Ele tem 40 anos. Trabalhava há 23 anos no setor financeiro de uma grande empresa. Contas a pagar, recebimentos, administração de grana daqui para lá e de lá para cá. Entrou lá como estagiário. E foi crescendo. Ou ficando. Aquele primeiro emprego se tornou uma carreira. E também um grilhão.

Com o tempo, foi percebendo o que queria da vida. Seu coração não estava em finanças. Estudou arte. Obteve um diploma. Mas veio um casamento. Vieram os filhos. E ele fez o que a maioria de nós faria – se amarrou ao que tinha na mão. Um holerite, um plano de saúde, um vale refeição. Para não correr riscos, correu o maior dos riscos – negar o que a sua voz interior estava lhe dizendo. Isolou a vocação que descobrira em si na caixinha dos desejos inoportunos.

Sabia que aquele trabalho não era o que desejava para si. Mas era o que lhe parecia mais seguro. E um marido e um pai precisa ser sensato. Precisa ser responsável e consequente. Preciso prover. E se sacrificar pela família, se preciso. Então conviveu muitos anos mais com aquele cotidiano. Engordou. Encontrou um companheiro no cigarro. E começou a beber um tantinho além do que seria recomendável.

Seus filhos cresceram. O casamento se desfez. E aos 40 ele tomou a decisão de pedir demissão. Com mais 12 anos no escritório ele já estaria pronto para se aposentar. As pessoas lhe diziam que sossegasse o facho, que tivesse bom senso. Mas ele não tinha mais 12 anos para dar. Ele já tinha sossegado o facho demais. E bom senso, bem, isso ele tinha de sobra: trocou o Excel pela lousa. Passou a dar aulas de arte numa escola pública, fazendo uso da licenciatura que estava há muito no fundo da gaveta, mas que não tinha sido esquecida. E na Brasilândia, periferia de São Paulo, onde as salas não são refrigeradas e onde não se usa gravata nem em dia de enterro.

Hoje ele dá aula em três escolas próximas da sua casa, na Freguesia do Ó. Vendeu o carro – se diz um feliz usuário do sistema de transporte público de São Paulo, quando precisa sair do seu bairro. Parou de fumar. Parou de beber. Desligou a TV – me disse que hoje só a usa para assistir a um filme no Netflix ou para jogar XBOX com o seu filho do meio, de 16 anos, que mora com ele. Ocupa todas as suas manhãs com as classes. E tem as tardes e as noites livres para fazer o que quiser. Inclusive estudar arte.

Eu o cumprimentei efusivamente por ter tido a coragem de fazer tudo isso por si mesmo – coisa que a maioria de nós não tem a coragem de realizar. E tentei lhe apoiar, e lhe confortar, dizendo que, afinal, dinheiro não é tudo, quando ele me atalhou – “Adriano, eu estou ganhando mais agora”.

Sem mais.

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014 Sem categoria | 11:59

A hora de cair fora

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Ei, não está na hora de você ouvir Ray Charles bem alto?

Ei, não está na hora de você ouvir Ray Charles bem alto?

Como empresário, já fui um fornecedor pequeno brigando no meio de gigantes. Ralava para ser relevante. Não tinha as melhores conexões – num lugar em que as conexões eram tudo. Havia uma liturgia ali, regada por relações antigas, que eu não praticava do melhor modo. O ambiente demandava um glossário e um jeito de falar e de agir que não me esforcei muito para dominar. Eu queria estar ali. Mas não à custa de ter que deixar quem eu era do lado de fora da porta ao entrar.

Aí, numa daquelas conversas de fim de reunião, a moça começou a falar de um filme que havia assistido e que se passava na Malásia. Eu perguntei se era ambientado em Kuala Lumpur. E ela me respondeu: “Não, ele se passa Malásia”, meio impaciente por eu não estar prestando atenção à conversa. Então aquele papo, que não tinha a pretensão de significar nada além de uma amenidade acabou ganhando um sentido: há fornecedores imperfeitos, mas há clientes piores ainda.

E eu fiquei por causa da grana.

Como executivo, já trabalhei em ambientes em que fui humilhado. Em que cheguei de boa fé e tomei tapa na cara. (Aguentei o tapa para mostrar fibra. E isso não me valeu de nada.) Ambientes em que não tinha amparo nem para cima, nem para os lados, nem para baixo. Em que não tinha nenhuma certidão de pertencimento a apresentar – o que é um pecado mortal no mundo corporativo. Você precisa escolher bem algumas mãos para beijar se quiser crescer de verdade.

Já trabalhei em lugares em que a gentileza vira obrigação. E em que a rudeza é a regra geral de convivência. Em que para se sentir engrandecido é preciso diminuir quem está à volta. Lugares em que as disputas são vencidas no grito. Ou então antes do grito – pela heráldica do sujeito. (Nunca por mérito.)

Lugares em que para sentar à mesa é preciso saber jogar o jogo das cotoveladas e das rasteiras. Eu me recusei a operar dessa forma. E me dei mal. Poderia ter saído antes. Mas fiquei até o final. Para curtir a vertigem da queda até o último metro. É muito melhor estar livre, em busca de um novo projeto para chamar de seu, do que estar amarrado ao inferno em nome de um salário.

Mas fiquei por causa da grana.

Estamos começando um novo ano. Não sei quem você é nem onde você trabalha. Não sei qual é a sua profissão nem qual é a sua formação ou o cargo que ocupa. Sei só uma coisa, aprendida duramente na experiência, e que gostaria de dividir aqui com você: nada vale a sua felicidade. Nem a sua paz interior. Perdoe o clichê, mas a carreira é curta, e a vida mais curta ainda, para que você se acomode numa posição que você já sabe que só vai lhe envenenar o fígado.

O mercado de trabalho está apinhado de péssimos lugares para trabalhar. E, no entanto, a gente vai ficando, tentando se adaptar a chefes brutais, a colegas desonestos, a patrões que não valem um peido de vaca. Em nome de um salário e de um pacote de benefícios. Diante disso, só resta riscar uma linha no chão e saber exatamente a partir de que ponto você não vai deixar ninguém passar. Inclusive para não acreditar que a inadaptação àquele ambiente decorre de um problema com você. Inclusive para não correr o risco de virar um daqueles chefes, um daqueles colegas, um daqueles patrões.

Se eu pudesse lhe dizer só uma coisa, lhe diria isso, de todo o coração: sempre que a única razão para ficar for a grana, caia fora.

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014 Sem categoria | 13:20

Como numa mesa de pôquer

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Apostar mais ou cair fora?

Apostar mais ou cair fora?

Você é empreendedor? Está pensando em empreender? Então saiba que um novo negócio não dar certo não é o problema. Ouvi isso de um sócio, anos atrás. Era um cara escaldado, que já tinha aberto e fechado várias empresas. Quando uma iniciativa mostra claramente que não vai adiante, a decisão a tomar é fácil: liquida-se a fatura e parte-se para outra. Não há vergonha alguma nisso.

Quem está no empreendimento tem que estar preparado para essa eventualidade. Todo dia um cliente pode entrar e todo dia um cliente pode sair. Todo dia você pode acordar e ver pela janela a sua horta verdejando – mas pode também vê-la esturricar ao sol, inapelavelmente, ou então ser devorada por uma nuvem implacável de gafanhotos. É do jogo. Basta que você esteja preparado para dar baixa naquela iniciativa e começar outra.

O grande problema, como colocou meu ex-sócio, não é a “merda”, mas a “meia merda”. Quando o negócio não está indo para frente mas também não está ruim o suficiente para que você perca as esperanças. Aí é que mora o perigo. Aí é que você pode perder um bocado de dinheiro. Na hesitação entre ir embora e continuar tentando, há um poço sem fundo.

Num dia você ficará pensando que o melhor é realizar logo o prejuízo e parar de enfiar tempo e grana numa operação que não mostra o menor sinal de que vá retornar esse investimento. No dia seguinte, você pensará que é preciso ter fé, que é preciso ter coragem, que é preciso insistir mais um pouco, que se fosse fácil qualquer um faria, que é preciso ralar para ganhar.

Há também o envolvimento emocional com o negócio. Você planejou, você sonhou, você batalhou, você suou, empenhou seu talento e seu dinheiro. Dar o tiro na nuca de um filho é uma decisão terrível. Nessas horas, é preciso ter frieza. Agir racionalmente. Mas peraí: não foi exatamente a paixão e o entusiasmo que lhe fizeram acreditar? Como deixar de acreditar agora? Ou melhor: qual a hora certa para deixar de acreditar?

Você está se enganando e deveria cair logo na real? Ou você deveria se agarrar ao bote e descer as corredeiras porque lá embaixo tem um lago de águas tranquilas e cheias de peixe?

Cada um encontrará a sua resposta. Há situações em que sair o quanto antes é o melhor a fazer. E outras em que a coisa certa é ficar e aguentar o tranco porque a virada está logo depois da próxima esquina. Não há como saber. Ainda assim, você terá que se decidir. E rápido. Com base em análise e experiência. E com base em intuição também. Como numa mesa de pôquer.

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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014 Sem categoria | 10:29

Descubra qual é o seu lugar ao sol

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As respostas estão todas dentro de você

As respostas estão todas dentro de você

Recebi há poucos dias esta mensagem de uma leitora da coluna:

“Adriano, li um artigo seu e tomei a liberdade de lhe escrever este e-mail.

“Tenho 21 anos, estou pensando na minha carreira profissional, quero fazer uma faculdade, a princípio uma que ofereça EAD (Ensino à Distância).

“Nunca me imaginei sendo professora, sempre achei que não era pra mim, mas agora estou pensando seriamente em fazer Pedagogia, e me especializar na área infantil. Gosto muito de crianças e penso que é uma carreira que oferece uma entrada mais fácil no mercado de trabalho – sempre há vagas. A remuneração não é lá essas coisas, mas acredito que iria me sentir bem trabalhando com crianças.

“Também já me imaginei sendo massoterapeuta. Acredito que essa profissão está crescendo bastante…

“Eis a minha dúvida – o que eu deveria fazer? Às vezes me sinto perdida, sem saber pra onde correr, nem o que fazer…”

Querida leitora,

Obrigado por ler a minha coluna e por enviar a sua dúvida.

Penso que, aos 21 anos, você tem que experimentar. O melhor jeito de aprender é fazendo. Isso vale para carreira também. Meta a mão na massa. Ninguém lhe dará um melhor conselho do que a sua própria experiência.

Você tem, hoje, dois interesses profissionais. E você tem pelo menos 50 anos à sua frente para ser muito feliz profissionalmente. Fazendo uma dessas duas coisas. Ou tendo duas carreiras – uma em cada uma dessas profissões. Ou chafurdando em outras atividades que lhe encantarem ao longo do caminho – e que talvez nem tenham sido inventadas hoje.

Talvez você também possa tocar esses dois projetos em paralelo, pelos próximos anos. Enquanto você faz um curso de Pedagogia, e mais tarde, quem sabe, uma especialização em Psicologia Infantil, num curso presencial ou à distância, você pode se desenvolver como uma massoterapeuta, seja por meio de um curso de Fisioterapia, seja como uma técnica da área.

A questão da grana é importante, claro. Mas não é a única. Não esqueça disso. Uma coisa é o tanto que você coloca no bolso no fim do mês. Outra é o que vai fazer você sair feliz da cama de manhã, todos os dias do mês. O ideal é que essas duas luzes estejam verdes para você. Só uma, não adianta.

Em relação à demanda que há no mercado para uma determinada atividade, entenda que isso varia muito. Profissões quentíssimas há dez anos hoje nem existem mais. O que vai estar bombando daqui a cinco anos a gente nem tem como prever hoje. Portanto, sua decisão não pode estar ancorada nessa análise “externa” da situação. É fundamental você olhar para dentro e entender realmente o que faz seu olho brilhar. Somente depois disso, pense na capacidade do mercado de lhe absorver como uma nova profissional da área – inclusive porque, para bons profissionais, mesmo em setores disputados, sempre haverá um lugar ao sol.

O importante é descubrir qual é o sonho. O que lhe faz feliz. E correr atrás dele. Hoje, amanhã e depois de amanhã. Partiu. Beijo – e boa sorte!

Feliz Ano Novo!

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